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Dez 08
publicado por Alexandre Veloso, às 16:18
editado por Fábio Matos Cruz às 21:36link do post | comentar

A China comemora em 2009 os 60 anos da fundação da República Popular, por Mao Tsé Tung. Só que nestes 60 anos a China mudou, e muito.

As ideias de Mao moram hoje num passado cada vez mais distante. O principal ideal do comunismo, e consequentemente também do maoísmo, que era o da supressão das classes, colocando assim as pessoas num mesmo patamar de igualdade social, é hoje uma utopia. A diferença entre ricos e pobres é hoje na China cada vez maior.

O único símbolo que resta da era de Mao é o poder exercido pelo Partido Comunista, que sendo o partido único, comanda a vida do povo chinês há quase 60 anos. A autoridade e a repressão contra os dissidentes, dois pilares fundamentais de qualquer país comunista, ainda é muito grande. O socialismo de características chinesas, como dizia Deng Xiaoping, fez a economia do país ter uma grande explosão nos últimos anos, trazendo assim a riqueza a muitas pessoas, mas contribui para aumentar o fosso que separa milionários e miseráveis. 

Só que esta espécie de capitalismo disfarçado tem um grande defeito: não trouxe ainda a democracia para a China. E não se pode considerar um país como capitalista se este não tiver a condição mais básica para assim ser designado: a democracia. Se um povo não tem direito de votar noutro partido que não o PCC, se não tem liberdade para protestar na rua contra o Governo, se os jornalistas não tem liberdade de actuação, se a Internet é fiscalizada, sendo negado o acesso a sites considerados inadequados, se ainda existe censura a jornais e a livros estrangeiros e se ainda existe tortura nas prisões chinesas, a China nao pode ser considerada uma sociedade livre e capitalista.

A China sempre teve como linha orientadora a "Doutina Sinatra": fez sempre tudo à sua maneira.

No próximo ano poderá observar-se até que ponto a sociedade chinesa está aberta a mudanças estruturais, isto devido a duas datas de especial simbolismo para os oposicionistas do regime: em Março passam 50 anos do exílio do Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, devido às invasões chinesas ao território tibetano; e em Junho completar-se-á 20 anos do massacre dos estudantes na Praça Tiannamen. Certamente haverá tentativas de relembrar estes dois acontecimentos por parte da população. A dúvida é: qual será a atitude tomada pelas autoridades máximas do Partido Comunista?


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