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Dez 08
publicado por Fábio Matos Cruz, às 21:49link do post | comentar

 

A aversão da esquerda à Igreja é assinalável. Sempre se assustou com o bichinho por reconhecer o poder que representa. Sempre rejeitou os seus domínios. Evita, ao que parece, fazer parte de um círculo fechado, austero e conservador. Com regras. Na verdade, a Igreja vai-se pondo a jeito: com o livro do passado por fechar, perfuma-se com naftalina para se manter conservada. Não tenciona mudar; espera que, de forma harmoniosa, o Homem mude. Pelo caminho, vai levando fiéis na bagagem. O que muitas cabecinhas teimam em ignorar é a essência da sua doutrina social. Se a instituição assombra pelo seu rigor, os seus valores namoram o socialismo - liberdade, igualdade, paz e justiça social.  Como explicar, então, a incompatibilidade? Fácil: a existência de regras. A tendência  tentadora é exaltar-se a tolerância como forma de fugir a regras. Que pavor, a ordem. Prefere-se a anarquia e um caminho traçado por impulsos. Orgulhosamente, proclama-se a morte da moralidade. Eis a esquerda: going with the flow, aguardando ventos simpáticos. O problema da esquerda e da Igreja é comum: capitalizam no espírito, tropeçam na concretização. O país vai privilegiando a esquerda, não por padrões partidários, mas por mentalidades e tendências sociais e culturais. Portugal é o lugar do Zé pobrezinho e da Maria coitadinha. E do Manel que não vai à missa porque sim.


Acho que focaste uma situação bastante pertinente.
Os valores da igreja cristã seguem muito a linha "liberdade, igualdade, paz e justiça social"... A esquerda deve tentar a separação por motivos políticos. Não lhe deve ficar bem identificar-se com a igreja, sobretudo a sua ala mais revolucionária não deve querer assumir o conservadorismo.

A situação russa é interessante lá a igreja ortodoxa assume um papel bastante forte na vida comum nas pessoas, nesse caso não custa muito ao governo aparecer na mesma fotografia. Outras realidades.

Continua com o óptimo trabalho :)
Francisco Nunes a 30 de Dezembro de 2008 às 23:41

de que esquerda de entre tantas esquerdas que existem falará o Fábio? para não complicar demasiado, visíveis sem grande esforço e organizaditas, eu seria capaz de vislumbrar uma mão cheia de esquerdas: a esquerda do PSD, fundada numa ética e até uma estética sociológica e filosófica, cpm Pacheco Pereira à cabeça; a esquerda social-cristã, de que é figura histórica Lurdes Pintasilgo; a esquerda "jacobina" de Manuel Alegre e companhia, com vestes republicanas mas gostos nobiliárquicos; a esquerda socrática, executivista e pró-liberal; a esquerda PC, ortodoxa e mimética de outros conservadorismos; a esquerda "fina", de matiz neo-trotskista, fracturante e liberal nos costumes; a esquerda "hardcore"; a esquerda de tipo século XIX; a esquerda anárquico-"okupa"; a esquerda popular, bairrista e até fadista... e ainda faltaria elencar uma boa meia-dúzia mais de esquerdas.
terreno arriscado este da simplificação direita/esquerda, não é?
Vítor Reis M a 31 de Dezembro de 2008 às 08:39

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