05
Jan 09
publicado por Simão Martins, às 22:21link do post | comentar

 

foto: António Cotrim, Agência Lusa

 

 

Em entrevista à SIC, esta noite, José Sócrates revelou uma vez mais que é, indubitavelmente, o melhor primeiro-ministro que Portugal podia ter numa altura destas.

 

Ricardo Costa e José Gomes Ferreira, munidos dum tom muitas vezes agressivo, opinativo e até demagógico (como quando Ricardo Costa disse ao primeiro-ministro para falar do BPN, "já que o banco" era "seu"), não conseguiram cumprir o objectivo que desde cedo se revelou óbvio: arrancar erros ou identificar fraquezas em José Sócrates.

 

Este, por seu lado, apresentou-se num estilo que já conhecemos desde a campanha para as legislativas em que ganhou a maioria absoluta.

- Em matéria de educação, explicou o que já era óbvio mas que muitos precisavam ouvir uma vez mais. A avaliação é para continuar, com as devidas alterações, mas mantém os pontos-base duma avaliação coerente: a distinção dos melhores profissionais no seio da docência.

- No que diz respeito à economia, e neste ponto esclareceu-me pela positiva, foi capaz de explicar por que razão os bancos não devem cair; o seu discurso que muitos diziam "optimista" (incluindo eu) não roçava nem de perto a falácia. Deve-se, isso sim, ao facto de neste momento não podermos enveredar por um discurso de "bota-abaixo" e destrutivo.

- Estatuto Político-Administrativo dos Açores. As divergências existem e ele reconheceu-o. Se o Tribunal Constitucional vier a considerar inconstitucionais os pontos criticados pelo Presidente da República, o governo vai retirá-los.

- Manuel Alegre e o seu (hipotético) novo partido terão que pensar numa coisa: para além da retórica e da possibilidade de escassa actuação/governação no actual panorama político, que outras saídas tem este (repito, hipotético) novo partido da esquerda?

 

Bem preparado, José Sócrates ultrapassou sem dificuldades uma entrevista caracterizada por dois cães em torno dum osso bem duro de roer. E morreram à fome.

 

O prémio da noite vai, no entanto, para uma tirada solitária mas bem-humorada de Ricardo Costa, que alertou para a urgência da mudança de assunto:

 

"Senão passamos o resto da noite a falar de ventoinhas" (aquando do discurso de Sócrates a propósito da energia eólica)


Na entrevista de hoje na SIC, José Sócrates esteve muitas vezes encostado às cordas.
Foi fustigado por setas certeiras, principalmente disparadas por Ricardo Costa, hoje particularmente acutilante e inspirado. A tirada das ventoinhas vai ficar para a história das entrevistas políticas deste novo século.
Falta agora o cartoon do 1º ministro com uma ventoinha daquelas grandes a rodar-lhe no nariz, torto.
O problema mesmo é que não temos melhor que isto.
E aí tenho que te dar razão.
Mesmo que contrariado.
zefm a 6 de Janeiro de 2009 às 00:22

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