29
Dez 08
publicado por Fábio Matos Cruz, às 22:05link do post | comentar

«A curto prazo, as consequências políticas da crise já são visíveis. Por um lado, ela trouxe boas notícias para muitos governos europeus que estavam em acentuada crise de popularidade e que recebem assim um balão de oxigénio. Por outro lado, ela vem neutralizar os mecanismos de responsabilização dos governos pelo seu desempenho, limitar o espaço de contestação política e diminuir as possibilidades de alternância. Se estas são boas notícias é que já não estou tão seguro.»

 

Pedro Magalhães, Público.

 

«O capitalismo baseia-se na confiança. O mercado precisa de leis: contra o que pensavam alguns ultraliberais, não há mercado sem Estado. Mas não basta. Para o sistema funcionar tem de haver uma cultura de confiança, acreditar nas pessoas e nas instituições com quem se faz uma qualquer transacção.»

 

«Não há confiança sem um grau razoável de vigência de princípios éticos, porque as leis e os reguladores dos mercados não podem evitar todas as fraudes. Sobretudo desde o colapso do comunismo, ficando o capitalismo como único sistema viável, a ética começou a ser marginalizada no mundo dos negócios. Muitos agentes económicos e financeiros deslumbraram-se e deixaram de admitir limites.»

 

Francisco Sarsfield Cabral, Público.


publicado por Alexandre Veloso, às 17:07
editado por Fábio Matos Cruz às 22:13link do post | comentar | ver comentários (2)

Tenho um sonho em que em 2009......

 

- o PSD vai ganhar as eleições legislativas.

- Jose Sócrates (ou será José Hipócrates?) vai parar de mentir aos portugueses a propósito da sua capacidade de baixar as taxas de juros, e que vai lembrar-se de falar das dúvidas de Cavaco Silva sobre o Orçamento, sobre o chumbo do novo Código Laboral, da crise dos professores, da controversa aprovação do novo Estatuto Político Administrativo dos Açores, etc.

- Santana Lopes vai ganhar as autárquicas em Lisboa.

- o Governo vai deixar algum banco falir para assim passarem a fazer melhores gestões.

- Barack Obama vai retirar as tropas americanas no Iraque.

- Israel e Palestina vão conseguir chegar a algum tipo de entendimento e que o constante sentimento de insegurança vivido em Gaza e na Cisjordânia chegará ao fim.

- a China vai permitir manifestações no 20º aniversário do massacre de Tiannamen.

- Índia e Paquistão não vão entrar em guerra.

- a Rússia vai parar de ameaçar a Ucrânia (e também toda a Europa de Leste) com o corte no fornecimento de gás devido às ambições ucranianas de entrar para a NATO.

- o mundo vai finalmente tomar uma atitude em relação ao genocídio na região do Darfur, no Sudão.

- Ratko Mladic, um dos principais responsáveis pelo massacre de Srebrenica, na Bósnia, vai ser capturado.

- Robert Mugabe vai finalmente ser deposto do cargo de presidente do Zimbabwe.

- haverá uma pacificação da instável situação vivida em alguns países africanos (Congo, Guiné Conacri).

 

Isto são apenas sonhos, que espero que se tornem realidade (pelo menos um ou dois). Aos mais cépticos e realistas peço desculpa pelas ilusões, a realidade segue dentro de momentos.


28
Dez 08
publicado por Fábio Matos Cruz, às 21:49link do post | comentar | ver comentários (2)

 

A aversão da esquerda à Igreja é assinalável. Sempre se assustou com o bichinho por reconhecer o poder que representa. Sempre rejeitou os seus domínios. Evita, ao que parece, fazer parte de um círculo fechado, austero e conservador. Com regras. Na verdade, a Igreja vai-se pondo a jeito: com o livro do passado por fechar, perfuma-se com naftalina para se manter conservada. Não tenciona mudar; espera que, de forma harmoniosa, o Homem mude. Pelo caminho, vai levando fiéis na bagagem. O que muitas cabecinhas teimam em ignorar é a essência da sua doutrina social. Se a instituição assombra pelo seu rigor, os seus valores namoram o socialismo - liberdade, igualdade, paz e justiça social.  Como explicar, então, a incompatibilidade? Fácil: a existência de regras. A tendência  tentadora é exaltar-se a tolerância como forma de fugir a regras. Que pavor, a ordem. Prefere-se a anarquia e um caminho traçado por impulsos. Orgulhosamente, proclama-se a morte da moralidade. Eis a esquerda: going with the flow, aguardando ventos simpáticos. O problema da esquerda e da Igreja é comum: capitalizam no espírito, tropeçam na concretização. O país vai privilegiando a esquerda, não por padrões partidários, mas por mentalidades e tendências sociais e culturais. Portugal é o lugar do Zé pobrezinho e da Maria coitadinha. E do Manel que não vai à missa porque sim.


publicado por André Pereira, às 18:49
editado por Fábio Matos Cruz às 21:47link do post | comentar

 

O ano de 2009 promete ser bastante complicado. A diversos níveis: económicos, financeiros, políticos e sociais.

Gostaria de abordar duas questões que se podem tornar (espero que não) factos marcantes de 2009. O conflito israelo-palestiniano e Paquistão/Índia.

Abordemos o primeiro. Na sequência do cessar-fogo de seis meses que terminou no dia 19 e que o Hamas se recusou a prolongar, Israel levou a cabo um ataque sobre a Faixa de Gaza que causou mais de 200 mortes. O mais violento desde a Guerra dos Seis Dias, isto é, desde 1967. O Hamas é um grupo islâmico fundamentalista, é um facto, mas Israel não pode actuar com tal leviandade sobre uma estreita faixa, onde vivem 1,5 milhões de pessoas.

Enquanto a comunidade internacional não tiver uma acção global este conflito nunca se resolverá. É preciso sentar-se à mesa. São precisas cedências de ambas as partes. Países como o Egipto podem ter um papel determinante nas negociações entre os dois lados. Só assim será possível. Até lá vamos continuar a receber todos os dias relatos de violência de uma região que apenas necessita de uma coisa: paz.

A questão do possível conflito entre o Paquistão e a Índia é também um assunto que deve ser tratado com pinças. São duas potências nucleares. O Paquistão não é (longe disso) um país estável e a recente retirada de tropas da fronteira com o Afeganistão confirma-o. A tensão entre os dois países é real. As forças de ambos os lados estão em alerta máximo, qualquer acto mal medido pode desencadear o confronto, o que seria trágico.

Pessoalmente não acredito que os dois países cheguem a vias de facto. Trata-se de uma demonstração de poder de ambos os lados. Oxalá eu tenha razão. Para bem do mundo.


26
Dez 08
publicado por Fábio Matos Cruz, às 18:54link do post | comentar

É Natal. O primeiro-ministro fez o seu pedido: ao ter assegurado a todos os portugueses que foi pela magia dos seus actos que as taxas de juro baixaram, José Sócrates sugeriu subtilmente que faria boa figura no BCE. Parece querer cair na tentação dos que lhe antecederam. Com Guterres na ONU, Barroso à frente da Comissão Europeia e Sócrates a brincar aos euros, Portugal faz-se representar por uma legião de missionários.


24
Dez 08
publicado por André Pereira, às 18:46
editado por Fábio Matos Cruz em 26/12/2008 às 18:54link do post | comentar

Hoje é dia de convívio familiar. Uma palavra de solidariedade para todos aqueles que não têm família ou que não podem celebrar o Natal junto dos seus. Para todos eles e para os meus colegas blogueiros e leitores: UM SANTO NATAL.


23
Dez 08
publicado por Leonel Gomes, às 19:36
editado por Fábio Matos Cruz em 24/12/2008 às 00:59link do post | comentar

Concluir a licenciatura de um curso superior não é sinónimo de emprego. Esta infeliz realidade começa a matutar a minha cabeça numa altura (assim espero) em que estou a pouco mais de um semestre de acabar o curso. Valeu a pena estudar tanto para, ao fim de três anos, o meu nome constar na lista do centro de emprego? Não seria melhor investir num curso profissional?

Como escreveu José Luís Peixoto na Visão, "com uma licenciatura, dezasseis anos de escola, podemos aspirar a dobrar camisolas na Zara, a arrumar livros na Fnac ou, fardados, a fugir dos clientes que procuram informações no Ikea. Com sorte, um contrato de seis meses. Com sorte, um estágio não renumerado". Já não seria um mau começo.

 

Feliz Natal.


publicado por Fábio Matos Cruz, às 15:23link do post | comentar

«Percebo que numa situação de crise e de recessão económica os governos queiram estimular a economia e o investimento. Mas esta atitude voluntarista pode não ser suficiente, pois alguns destes grandes projectos podem não ser financiáveis. Ninguém pode garantir que vai haver financiamento, nem mesmo o Tesouro português o pode garantir, por isso admito que alguns dos grandes projectos venham a ter que ser repensados.»

 

«As PME são um segmento a que os bancos atribuem grande prioridade comercial. Os bancos mais facilmente preferem escusar-se a financiar alguns dos projectos, do que prejudicar as PME. As PME estão cá sempre, são permanentes, têm negócio recorrente. É uma actividade muito importante para os bancos.»

 

Fernando Ulrich, presidente do BPI, em entrevista ao Público.


publicado por Simão Martins, às 03:08link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Bento XVI não tem dúvidas: salvar a humanidade da homossexualidade ou de comportamentos homossexuais é tão importante como salvar as florestas da destruição.

 

Para salvar a humanidade era necessário, primeiro que tudo, suprimir grande parte dos dogmas em que assenta a Igreja Católica. Depois, remodelava-se um bocado a Bíblia e o filho pródigo já podia voltar a casa porque o seu pai conseguia compreender que a homossexualidade não é, como muitos pensam, uma doença. Modernizando ainda mais a coisa, até era capaz de nem ficar mal uma Virgem Maria que tivesse ido a um banco de esperma buscar a "semente sagrada" que viria a dar origem ao menino Jesus.

 

Agora a sério, as florestas que se fodam. Enquanto houver gente a pensar assim, mais depressa acabam as pessoas que as árvores.

 

Bom Natal.


22
Dez 08
publicado por Alexandre Veloso, às 16:18
editado por Fábio Matos Cruz às 21:36link do post | comentar

A China comemora em 2009 os 60 anos da fundação da República Popular, por Mao Tsé Tung. Só que nestes 60 anos a China mudou, e muito.

As ideias de Mao moram hoje num passado cada vez mais distante. O principal ideal do comunismo, e consequentemente também do maoísmo, que era o da supressão das classes, colocando assim as pessoas num mesmo patamar de igualdade social, é hoje uma utopia. A diferença entre ricos e pobres é hoje na China cada vez maior.

O único símbolo que resta da era de Mao é o poder exercido pelo Partido Comunista, que sendo o partido único, comanda a vida do povo chinês há quase 60 anos. A autoridade e a repressão contra os dissidentes, dois pilares fundamentais de qualquer país comunista, ainda é muito grande. O socialismo de características chinesas, como dizia Deng Xiaoping, fez a economia do país ter uma grande explosão nos últimos anos, trazendo assim a riqueza a muitas pessoas, mas contribui para aumentar o fosso que separa milionários e miseráveis. 

Só que esta espécie de capitalismo disfarçado tem um grande defeito: não trouxe ainda a democracia para a China. E não se pode considerar um país como capitalista se este não tiver a condição mais básica para assim ser designado: a democracia. Se um povo não tem direito de votar noutro partido que não o PCC, se não tem liberdade para protestar na rua contra o Governo, se os jornalistas não tem liberdade de actuação, se a Internet é fiscalizada, sendo negado o acesso a sites considerados inadequados, se ainda existe censura a jornais e a livros estrangeiros e se ainda existe tortura nas prisões chinesas, a China nao pode ser considerada uma sociedade livre e capitalista.

A China sempre teve como linha orientadora a "Doutina Sinatra": fez sempre tudo à sua maneira.

No próximo ano poderá observar-se até que ponto a sociedade chinesa está aberta a mudanças estruturais, isto devido a duas datas de especial simbolismo para os oposicionistas do regime: em Março passam 50 anos do exílio do Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, devido às invasões chinesas ao território tibetano; e em Junho completar-se-á 20 anos do massacre dos estudantes na Praça Tiannamen. Certamente haverá tentativas de relembrar estes dois acontecimentos por parte da população. A dúvida é: qual será a atitude tomada pelas autoridades máximas do Partido Comunista?


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