14
Jan 09
publicado por Simão Martins, às 02:36link do post | comentar

 

 

Ontem foi seguramente um dia importante para Cristiano Ronaldo. E para o nosso país. Mas para os elogios, basta ler o post do André Pereira sobre o assunto.

 

Fico é incrédulo com a vénia dos media perante este acontecimento. Ora recapitulemos: ele já andava a ganhar prémios atrás de prémios; já se especulava desde que andava a ganhar prémios atrás de prémios sobre se ganharia este troféu ou não; e quando realmente é distinguido, a subordinação ao acontecimento Ronaldo-melhor-do-mundo-2008-e-quem-sabe-um-dos-melhores-de-todos-os-tempos-já-que-ganhou-tanto-prémio-ao-longo-do-ano-passado deixa de ser uma notícia para passar a ser uma obsessão.

 

Quem tivesse ligado a televisão ontem por volta da hora do jantar, deparava-se com um cenário de encantar: Ronaldo mais os seus brincos-diamante a receber um prémio importante diante duma enorme plateia. Mas no caso da RTP1 (em que o serviço público se impõe mais que nos outros canais) esta não só transmitiu a entrega dos prémios como prolongou o tema-Ronaldo até à exaustão. E havia de tudo um pouco: a mãe de Ronaldo chorosa mas felicíssima, Alberto João Jardim a elogiar o menino lá da terra (isto na SIC), o próprio Ronaldo ainda a suar por causa dos holofotes dizendo que "pó ano que vem espera 'tar cá outra vez". 

No entanto, o português refastelado no seu sofá não se importa: "é o nosso Rónaldo que ali está, diante dos melhores do mundo, que se lixe, antes ver bola até cansar do que assistir à matança lá dos árabes".

 

Ainda no outro dia o blogue Jornalismo e Comunicação (aqui linkado) publicava um quadro que mostrava as maiores audiências de 2008. Surpresa das surpresas, os dez primeiros lugares eram ocupados por jogos de futebol ou temas relacionados com futebol (e seguiam-se as telenovelas).

 

Eu por cá ando farto da merda do futebol. Que se lixe o Ronaldo e o carro espatifado. Nem a notícia do motociclista que morreu no Dakar teve mais importância que o Ferrari desfeito do menino preferido dos portugueses.

 

 

Haja discernimento e coerência!


Titulo criativo Simão. Mas não te esqueças que se há algo de que este país se pode orgulhar lá fora quase tudo se relaciona com futebol. Há uns anos, outras gerações nomeavam Eusébio, Amália e outros. A nossa geração vai nomear Figo, Cristiano Ronaldo, Mariza. Exposições mediáticas como Expo 98, Euro 2004 é que orgulham e dão nome lá fora a um pais esquecido muitas vezes pelo resto da Europa.
Sena a 14 de Janeiro de 2009 às 16:29

Simão concordo contigo quanto à questão do destaque abusador que os media deram( e vão continuar a dar) a Ronaldo. O futebol terá sempre mais audiências do que um programa cultural. Tenho pena, mas é a verdade. É preciso mudarem-se as mentalidades do povo. A minha já a mudei.
André Pereira a 14 de Janeiro de 2009 às 17:26

Se o nosso país é reconhecido lá fora sobretudo devido ao futebol, então devíamos canalizar esforços para tentar actuar mais com a cabeça e não tanto com os pés.
Simão Martins a 14 de Janeiro de 2009 às 19:19

Portugal é o país do futebol, e está tudo dito, e basta ver as audiências dos programas mais vistos para tirar-mos essa conclusão. O que importa é mudar mentalidades, mas como acho isso impossível, o melhor é mudar de canal, afinal o zapping existe para quê?
Leonel Gomes a 14 de Janeiro de 2009 às 19:29

Está na moda e gera simpatias o facto de criticar o peso do futebol na nossa sociedade e principalmente essa figura deseducada e popular do Cristiano Ronaldo.
É a tentativa de afirmação de um certo elitismo.
Agradeço que quando descortinarem que um elemento da nossa cultura (ex. um pintor, um bailarino, um tenor, etc. etc.) seja reconhecido internacionalmente pelos seus pares como o melhor do mundo na sua área, façam comparações com o tempo que a comunicação social gastou neste caso.
Enquanto isso não acontecer é pura demagogia criticar a cobertura dada a este importante facto nacional.
lisboa a 16 de Janeiro de 2009 às 02:00

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