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Jan 09
publicado por Simão Martins, às 14:16link do post | comentar

 

 

"Esta-mos" neste momento no último ano da faculdade. O terceiro da "licensiatura", que começou em 2006.

 

Este tipo de erros acima identificados com aspas foram dos mais frequentes desde que entrei para o curso de Ciências da Comunicação e da Cultura com vertente em jornalismo. Mas não da minha parte. Podem chamar-me convencido ou dizerem que tenho à minha volta uma espécie de bolha invisível que me protege dos erros ortográficos ou gramaticais.

 

Mas se há coisa que realmente prezo é a boa utilização da língua portuguesa. Comecemos pelo princípio: ninguém nasce ensinado. Na escola primária iniciamos (e não "inicia-mos") o nosso percurso em torno de construção de frases e compreensão de textos. Passando para o ensino preparatório, as coisas complicam-se um pouco. Lá para o 7º ou 8º ano, quem não souber de todo escrever, não deve passar para o ano seguinte; é assim que as coisas deviam funcionar! E, por isso, já nem falo no secundário, em que o grau de exigência é considerável e tais erros não devem ser permitidos; a condescendência é das piores coisas para o ensino.

 

E chego eu à faculdade (privada, onde a média mínima para entrar se resume aos míticos 9,5) e deparo-me com uma deficiência ao nível da escrita duma dimensão absolutamente ridícula (e mesmo na línguagem oralizada, não faltam os "por causa que" e os "houveram"), caracterizado por um desconhecimento geral do correcto uso da pontuação, das formas verbais e até erros tão ridículos (até para uma criança do 4º ano) como aquele contido no título deste texto. Fico perplexo quando vejo esta forma de encarar a escrita num curso em que esta é, no mínimo, basilar. Não se pede que tenham uma escrita atraente, com personalidade e afins. Pede-se que saibam escrever duas frases seguidas com sentido e, para isso, ler é essencial (não descansem, não chega ler A Bola ou o Destak). 

 

 

Há alturas em que faz falta ver aquele programa com o Diogo Infante, "Cuidado com a Língua". Principalmente para estes futuros jornalistas. Por falta de modéstia, alguma dedicação e muita leitura, tenho tido por hábito não me incluir nessa quantidade gigantesca de gente que simplesmente não sabe escrever!


"E chego eu à faculdade (privada, onde a média mínima para entrar se resume aos míticos 9,5)"

Sim, mas estás numa privada não é verdade? Sendo esses 9,5 míticos, deparo-me com a dúvida do porquê da tua entrada numa privada. A média não chegava para a pública?

"Há alturas em que faz falta ver aquele programa com o Diogo Infante, "Cuidado com a Língua". Principalmente para estes futuros jornalistas. Por falta de modéstia, alguma dedicação e muita leitura, tenho tido por hábito não me incluir nessa quantidade gigantesca de gente que simplesmente não sabe escrever!"


Ladies and gentlemen, clap your ands to the future Jornalist. Be carefull the "Público" is watching you.

Pode ser que o Público te contrate, já que és o maior da tua aldeia
someone somehow somewhere a 29 de Janeiro de 2009 às 00:06

Caro Someone Somehow Somewhere:

A minha média não foi de facto suficiente para entrar na faculdade pública. Mas tal não se deveu a um errado uso da língua e é a isso que me refiro no post.

Em relação ao último parágrafo, já sabia que ia ser mal interpretado. Quero deixar bem claro que não me considero nenhum Eça de Queiroz ou Fernando Pessoa! E até sei que a qualquer altura terei algum erro ortográfico. No meu caso, caro SSS (perdoe-me a sigla), tratar-se-á certamente duma desatenção e não de desconhecimento (ou burrice, numa versão mais verdadeira). Este desconhecimento é o que realmente me preocupa, ou é a favor de pessoas que estão na universidade e que mal sabem escrever??
Simão Martins a 29 de Janeiro de 2009 às 00:21

Caro Simão, pelas suas palavras vejo que vossa excelência é um ser de outro mundo mas será que ninguém pode errar?! Errar é humano já dizia o outro.
Noto também nas suas palavras uma falta, grande, de ver o mundo lá fora tal e qual como ele é, saia de casa e conheça novas gentes e novas culturas, escrever mal...todos escrevem por diversos factores: distracção, inexistência de saber, etc.
E você, já olhou à sua volta? E para baixo? Algo que me diz que você passa horas e horas em frente a um PC e deve ter uma avantajada barriga da qual não consegue ver se quer a ponta do seu sexo. Você é triste.
Não pense que tudo é perfeito ou tudo tem de ser como quer, afinal o mundo não gira em torno de si. Um pouco de modéstia não lhe fará mal. Acho ridículo você ter escrito este "post".
Pense nisto e no que realmente quer da sua vida e deixe os outros em paz porque os outros devem-se estar a borrifar para si... até porque ninguém nasceu no berço de ouro como o seu...
cumprimentos.
Mendes a 29 de Janeiro de 2009 às 00:31

Pensei que com os erros propositados no meu inglês, o caro simão os fosse corrigir. Seria proclamado em vez de "maior da aldeia" "o maior do mundo".

Cabe aos professores da faculdade avaliarem a capacidade de escrita de cada aluno. Sim é estranho como o simão referiu, num curso de Ciencias da Comunicação haver alunos a dar erros. Mas esses como sabemos, ou não acabam o curso, ou vão ter dificuldades na sua vida profissional.

Com tantos problemas que assolam o nosso país, os erros ortográficos nem merecem figurar na nossa lista de preocupações.

O maior erro ortográfico, é o célebre acordo ortográfico, isso sim vai retirar uma parte de nós, da nossa cultura e os futuros filhos deste país vão perder um pouco do que é Ser Português.
someone somehow somewhere a 29 de Janeiro de 2009 às 00:34

Finalmente, concordo com os dois senhores!

Com o Mendes, por adivinhar a minha avantajada barriga.

O SSS (novamente as minhas desculpas) tem toda a razão quando fala do acordo ortográfico. Também sou claramente contra.

Peço desculpa se pareci convencido ou completamente narcisista; de facto eu não penso só em mim. Se fosse assim, estava-me pouco borrifando para o futuro da profissão, de quem a vai exercer e apenas ia fazendo o meu percurso, aí sim, pensando só em mim.

É que eu costumo dar muita importância a estas pequenas grandes coisas, sabem...
Simão Martins a 29 de Janeiro de 2009 às 01:10

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