30
Jan 09
publicado por André Pereira, às 11:28link do post | comentar

O Caso Freeport inocentemente, ou não, volta a surgir perto de eleições. Foi assim em 2005, é assim em 2009. Não está em questão a gravidade das acusações de que José Sócrates é alvo. São de uma gravidade tremenda. Portugal não pode ter um primeiro-ministro sob suspeita de corrupção. A justiça tem de funcionar, o que em Portugal, infelizmente, nem sempre acontece da melhor maneira. E isto pode ter uma grave consequência: a lentidão da justiça pode lançar uma suspeita de tal ordem sob o primeiro-ministro, que o leve a demitir-se e a obrigar a eleições antecipadas. Ora Portugal precisa é de um governo que esteja concentrado no combate à crise, na ajuda às pesssoas e na procura de soluções para resolver tudo isto; não de um governo fragilizado. Sócrates tem lidado bem com a situação, no entanto, o papel de vitimização não é o mais adequado. O primeiro-ministro não necessita disso, basta mostrar firmeza,  repudiar tudo o que tem sido dito e demonstrar confiança em que tudo será esclarecido pela justiça. O papel de vítima pode virar-se contra ele.

O que não pode ser ignorado neste caso é o comportamento da comunicação social no tratamento das informações. Não tenho dúvidas que há uma enorme vontade, em certos media, de atingir José Sócrates. É notório em 3 órgãos de informação: Público, TVI e Sol. Como se explica a omissão de excertos do comunicado do PGR por parte da TVI? Isto é grave, muito grave. O Público, como vem sendo hábito, apresenta tudo o que possa atingir o primeiro-ministro, fundamentalmente na pessoa do seu director, José Manuel Fernandes. O Sol parece ter-se tornado num aliado da TVI, contribuíndo para um jornal de sexta-feira ainda mais deprimente e contra o governo do que se possa imaginar. Isto não é jornalismo, é alguma coisa certamente, mas que escapa aos objectivos do jornalismo. Para informar é necessário existir ambos os lados das questões, explicar os factos para que as pessoas possam construir a sua opinião com base em dados seguros.

Nós vemos que isto não se está a passar em alguns órgãos de comunicação. Eu não queria ir tão longe, mas tem de ser: isto é jornalismo de merda. Não honra a profissão que quero desempenhar, não me faz ter orgulho no papel do jornalismo.

Felizmente, existem excepções, e nós sabemos quais são. Os outros, mais tarde ou mais cedo, seguirão o seu caminho rumo ao que merecem.


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