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Fev 09
publicado por Simão Martins, às 15:03link do post | comentar

 

 

 

Ontem, enquanto caminhava por um dos corredores da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, passei pelo antigo gabinete de Marcelo Caetano. "Fecharam-na [a sala] e nunca mais serviu para nada, mesmo quando temos falta de salas", dizia-me uma aluna. De facto, do vidro sobre a ombreira da porta não vinha luz nenhuma, levou-me mesmo a imaginar que se trata duma divisão cheia de pó, bichos e vazio, de espaço e de história.

 

Mas também temos o outro lado da questão. Aqui há uns tempos, falava-se na transformação da antiga sede da PIDE num condomínio de luxo (que não cheguei a saber se se concretizou), o que mostra um apagar da história daquele que foi um dos mais repressivos instrumentos do Estado Novo para dar lugar a um habitat de gente que talvez nem saiba o que foi a PIDE. Mas chega de especulações.

 

 

O ponto a que quero chegar é simples. Não é por Marcelo Caetano ter sido quem foi que agora, por razões de respeito ou por vontade de puro desejo de esquecimento, o seu antigo gabinete deixe de pertencer aos anais da história de Portugal. Dava uma bela sala-museu, bem como a sede da PIDE o poderia ter sido. Veja-se o exemplo de Auschwitz ou da casa de Anne Frank, que são hoje diariamente visitadas por milhares de pessoas.

 

Se hoje há aquilo a que chamamos história, devemo-lo a uns quantos seres inteligentes que decidiram preservar para a posteridade o que aconteceu. De bom e de mau.


A história deve ser preservada. Seja boa ou má. É um exemplo de superioridade moral e intelectual de um povo. Infelizmente, Portugal não é um bom exemplo.
André Pereira a 11 de Fevereiro de 2009 às 17:58

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