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Fev 09
publicado por Fábio Matos Cruz, às 23:25link do post | comentar

O mais recente ensaio de Robert Kagan, O Regresso da História, serve de despertador para os que estão embalados num sono tranquilo. Com potências a exigir um estatuto digno no palco mundial, ameaçando a democracia liberal predominante no eixo euro-atlântico, regressa-se à História porque a competição entre nações está para durar. O "mundo transformado" que se imaginou no pós-Guerra Fria nunca chegou a nascer. Mais: os Estados Unidos não permanecem a única superpotência, antes partilham uma posição privilegiada com outras potências num retorno à concorrência internacional - o "mundo pós-americano" anunciado por Fareed Zakaria. Vive-se uma luta por influência no mundo. Não se trata de uma competição ideológica, mas de diferentes exercícios de poder. Como Kagan explica, a nova era será de «tensões crescentes e por vezes de confrontações entre as forças da democracia e as da autocracia». A supremacia do liberalismo democrático provocou o colapso do comunismo soviético mas isolou também os que não quiseram abraçar os projectos que promove. É por isso que «os chineses e os russos se sentem marginalizados da clique poderosa e exclusivista» do mundo liberal. Perante esta alienação, tanto a Rússia como a China estão convictos de que para serem uma grande potência têm de ser independentes. Ficam aterrorizados com a possibilidade de, por vontade alheia, serem impedidos de realizar as suas ambições e de o seu destino lhes ser negado. À sua maneira, constroem uma liderança sólida, que suscite confiança no seu povo e que seja motivo de orgulho - é aqui que, muitas vezes, patriotismo e nacionalismo não são facilmente distinguíveis. O dilema é saber até que ponto virar as costas ao Ocidente. E mover a peça certa no xadrez diplomático.


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