02
Mar 09
publicado por Alexandre Veloso, às 14:23link do post | comentar

O assassinato do Presidente da Guiné Bissau, Nino Vieira, apenas vem confirmar a situação incontrolável que se vive no país desde 1998. Na altura, Nino teve de fugir e exilar-se em Portugal, após o golpe de estado que mergulhou o país numa guerra sem sentido. Nino teve que assistir, e sem nada poder fazer, ao aumento do número da criminalidade, à cada vez maior importância do tráfico de drogas no mercado guineense, à cada vez maior taxa de desemprego e de analfabetismo e ainda à constante guerrilha que se vivia dentro das Forças Armadas, e que levou ao assassinato de Ansumane Mané, em 2000.

 

A presidência de Kumba Yalá veio radicalizar ainda mais a situação do país, levando a um cada vez maior antagonismo entre as principais etnias do país. O golpe de estado que derrubou Kumba, em 2003, propiciou  o retorno de Nino ao país, em 2005. A sua vitória nas presidenciais desse mesmo ano praticamente condenaram-no a uma vida em constante sobressalto, porque muitos não esqueceram que Nino estava a ser julgado por crimes, e que esses julgamentos foram ignorados na altura das eleições. A juntar a isso, deve acrescentar-se que a constituição de um "exército" próprio para o Presidente não foi bem vista pelas já radicalizadas Forças Armadas do país. Já em Novembro do ano passado, Nino tinha sobrevivido a um atentado. Agora não teve a mesma sorte, tal como o seu Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, que também foi assassinado (o terceiro nos últimos anos!).

 

O surreal da situação é o comunicado divulgado pelas Forças Armadas que diz que não está em curso nenhuma tentativa de golpe de Estado! Podemos deduzir que para os militares guineenses o assassínio do Presidente e do CEMGFA  não significa que esteja em curso um golpe Estado!

 

Qual o futuro da Guiné Bissau agora, após mais um golpe de estado (se não estou em erro, o quarto nos últimos dez anos)?

 

O mais triste é constatar que em África continua-se a pensar que os golpes de Estado servem para melhorar a situação do país e que as Forças Armadas têm que ter um papel fundamental num futuro Governo. Não servem e não podem. A Guiné Bissau é só mais um país africano (como a Libéria, a Serra Leoa, a R. D. Congo, o Sudão entre outros) em que a radicalização das Forças ArmadaS, a guerra entre tribos rivais e a proliferação do tráfico de drogas conduz o país à ruína financeira, económica, social e moral.


Ler
pesquisar neste blog
 
arquivos
blogs SAPO