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Abr 09
publicado por Simão Martins, às 03:34link do post | comentar

 Todos os dias lemos notícias dizendo que os jornais estão a caminhar para o seu desaparecimento. O que me parece, de facto, inevitável. Se toda a gente vê televisão, porquê pagar por um amontoado de papel em que vamos ler as notícias que já conhecemos do dia anterior? O encanto dos jornais está, portanto, na sua fase mais decadente de que há memória.

 

Temos, por outro lado, esse messias da comunicação social que é a Internet, de tudo e de todos, para todos. É aqui que se refugia, no final de contas, toda a informação. O que nos faz pensar para que é que ainda existem jornais, se eles só dão prejuízo, com as vendas a cair ao longo dos anos, ainda por cima existindo agora um meio de acesso à informação tão evoluído e difundido como a Internet. Queremos ver um vídeo e vamos ao Youtube. Apetece-nos ler as notícias e vamos a um qualquer site de informação. É este ao mesmo tempo o encanto da Internet e o desencanto dos jornais?

 

Não me parece.

 

Creio que enquanto não arranjarem um suporte que substitua o jornal em papel na sua totalidade, este há-de aguentar-se na tempestade. Isto, claro, se houver quem pague por isso. Porque não há ainda nenhuma máquina que substitua o folhear do papel; a maleabilidade do jornal, permitindo dobrá-lo e levá-lo debaixo do braço, na mochila ou mesmo num bolso (bem amarrotadinho) é, por enquanto, insubstituível. E assim permanecerá. Enquanto houver, claro, quem pague para que isso possa acontecer.

 

A Internet não é mais, portanto, que um refúgio de segurança, um bunker da informação. O custo é incomparavelmente mais baixo que o de produzir um jornal em papel, a possibilidade de interagir com os elementos multimédia torna-a mais atraente, cativante. Mas isso é suficiente?

 

Aplaudo os esforços, mas parece-me que ainda vou continuar a ler o Inimigo Público em papel (que está a dar agora os primeiros passos na rede), pelo menos enquanto o puder pagar.

 

Ou enquanto, claro está, o senhor Belmiro quiser pagar para que ele exista.


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