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Mai 09
publicado por Alexandre Veloso, às 19:02link do post | comentar

 

 Após um mês de eleições, a maior democracia do mundo finalmente conhece os resultados das eleições legislativas.

 

 O Partido do Congresso vai voltar a formar Governo. A Aliança Unida Progressista (UPA), encabeçada pelo Congresso consegue 252 dos 543 lugares do Parlamento. Este é o melhor resultado do partido, de tendência centro-esquerda e laica, desde 1991. Mesmo tendo ficado a apenas 20 lugares de atingir uma maioria absoluta, o Congresso é o partido que está em melhor posição para formar Governo, porque não está tão dependente de pequenas aliaças com partidos menores. Mas é bom lembrar que uma maioria ainda é possível, mesmo com o Congresso com uma larga vantagem em número de deputados em relação à oposição. As contrapartidas locais/regionais ou uma mala cheia de rupias podem ser suficientes para convencer os pequenos partidos a se unirem à UPA e assim formarem um governo de maioria.

 

 Os grandes derrotados desta eleição são os fundamentalistas hindus, representados pelo maior partido da Oposição, o BJP ( Barathya Janata Party), que não conseguem mais do que 162 lugares no Parlamento. O fracasso da Aliança Nacional Democrática (NDA), coligação do BJP com os pequenos partidos, pode assim colocar um ponto final na carreira de L.K.Advani, o idoso líder dos derrotados.

 

 Também a esquerda foi quase completamente apagada do mapa político indiano, porque a Terceira Frente, coligação dos partidos regionais e de esquerda, e liderada pela rainha dos "dalits" (os intocáveis, que na Índia são conhecidos como os sem casta) Mayawati Kumari, conseguiu apenas 60 lugares no Parlamento.

 

 Numa sociedade como a indiana um regresso do fundamentalismo hindu ao poder poderia ser extremamente perigoso, porque estes defendem uma Índia hinduísta, excluindo assim todas as outras comunidades que habitam o país, dos muçulmanos aos sikhs. E a Índia sabe melhor que muitos países o que a fúria de um determinado grupo nacionalista fanático é capaz de fazer.

 

 Basta lembrar que Indira Gandhi e o filho, Rajiv Gandhi, foram assassinados, por grupos reaccionários. Indira, em 1984, por dois dos seus guarda-costas sikhs, que vingaram-se dela pelo "atentado" do governo ao Templo de Ouro(lugar sagrado para os sikhs), na fracassada operação Blue Star, que visava acabar com a ocupação indevida do templo pelos fundamentalistas. Já Rajiv foi vítima de um atentado bombista, em 1991 durante a campanha das legislativas, onde este tentava regressar ao poder, por parte de um grupo ligado aos Tigres de Tamil, grupo revolucionário do Sri Lanka, que recusava-se a aceitar o facto de Rajiv ter cortado o apoio da Índia aos rebeldes tamil.

 

 Por isso, a manutenção do Congresso no poder foi fundamental para a Índia. O partido sempre defendeu que a Índia deve ter lugar para todas as religiões. Este sempre foi o pensamento de Indira, de Rajiv e também é o da actual Presidente do partido, Sonia Gandhi, viúva de Rajiv, e do Primeiro-Ministro Manmohan Singh. A abertura do partido pode ser observada pelo simples facto de ser presidido por uma italiana de nascimento, e por ter nomeado para PM, após a recusa de Sonia, um sikh.

 

 Do Punjab a Uttar Pradesh, de Tamil Nadu a Karnataka, de Maharashtra ao Rajastão, de Bombaim a Bengala e de Guzarate a Nova Deli os indianos bem podem estar agradecidos por o Congresso manter-se no poder.

 

 

 


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