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Jun 09
publicado por Alexandre Veloso, às 12:01link do post | comentar

 Na Grã-Bretanha tudo parece correr mal a Gordon Brown. Já não lhe bastava ter que lidar com a saída de um ministro fotografado à porta de Downing Street com documentos importantes e sigilosos, com a crise gerada pelo uso indevido de dinheiro público para gastos supérfluos dos deputados, tanto trabalhistas como conservadores, situação que acaba por manchar mais quem está no poder do que quem está na oposição, com a derrota nas eleições locais e com a provável derrota nas europeias, esta semana teve que lidar com uma verdadeira revolta dentro do governo.

 

 Nada menos que seis ministros demitiram-se dos seus cargos!  Os ministros do Interior, da Europa, da Defesa, das Comunidades, dos Transportes e do Trabalho resolveram abandonar um barco cada vez mais condenado a afundar-se. Brown tratou logo de remodelar o Governo e calar a oposição, a imprensa e a população que já desesperam por eleições gerais.

 

 O grande problema para o PM britânico é que já não têm, por parte de grandes áreas do seu partido, a confiança necessária para governar com tranquilidade. E quando se perde a confiança dentro do seu próprio partido a derrota parece cada vez mais certa. O acumular de situações como as que estão a ocorrer na Grã-Bretanha vai levar mais cedo ou mais tarde Gordon Brown a demitir-se e a convocar eleições. E ninguém duvida que neste caso será mais que provável um regresso dos "tories" a Downing Street doze anos depois, desta vez com David Cameron à frente dos destinos do país.

 

 O objectivo dos trabalhistas será o de apresentar um candidato que não afunde ainda mais a imagem do partido. Gordon Brown já parece demasiado queimado e desgastado para ser uma alternativa minimamente credível. Já neste blog disse que o principal desgaste não é nem tanto de Brown, que tem só dois anos de governo mas com erros suficientes que já o tornam bastante desgastado, mas sim do próprio Partido Trabalhista. O povo já está saturado das ideias do "New Labour". Doze anos no poder, e muitos erros cometidos, já parecem ser suficientes para os britânicos dizerem "basta!". Tal como há doze anos também já estavam cansados de dezoito anos dos conservadores no poder e de lá os apearam, agora parece altura do povo "arrancar" do poder os trabalhistas.

 

 Com David Cameron a caminho do número 10 mais cedo ou mais tarde, caberá ao novo líder dos trabalhistas, que não me parece que seja Gordon Brown, reoganizar o partido  e dar-lhe um novo rumo, tal como fez Tony Blair, em 1992, após a derrota dos trabalhistas de Neil Kinnock nas legislativas. Na altura a tarefa de Blair foi difícil, mas com um espírito empreendedor conseguiu renovar as mentalidades mais retrógradas do partido, dar lhe um novo rumo, criando o chamado "New Labour" e chegar ao poder apenas quatro anos depois.

 

 A tarefa para o futuro líder dos trabalhistas será difícil, mas quando este perguntar-se qual será o melhor caminho a seguir, é bom que lembre um antigo provérbio espanhol:

 

 "Caminhante, o caminho não existe, pois o caminho faz-se a caminhar".

 

 


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