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Jun 09
publicado por Alexandre Veloso, às 13:02link do post | comentar

 

 

 

 Vinte anos após o massacre na Praça de Tiananmen eu pergunto o que verdadeiramente mudou na China, para além do incrível desenvolvimento económico:

 

- foram divulgados os nomes das vítimas do massacre?

- o número real de mortos foi divulgado?

- o povo chinês têm realmente total liberdade de expressão?

- a imprensa na China é livre para dizer o que quiser?

- os servidores de Internet fornecem os mesmos conteúdos que os servidores europeus?

- existe liberdade política para formar outros partidos?

- o Partido Comunista reformou-se alguma coisa nestes 20 anos?

 

 Como a resposta para estas perguntas parece ser óbvia, fica outra interrogação: os chineses realmente se importam com isto? Acho que existem os que se preocupam e os que não querem saber.

 

 Os que se preocupam são aqueles que foram vítimas dos acontecimentos de Tiananmen, ou que tiveram familiares mortos na praça, os  que vivem no estrangeiro, os dissidentes políticos e ainda a franja da população que não se deixa iludir facilmente pelo desenvolvimento económico. E há ainda a enorme população rural, que não tendo acesso a nada da tecnologia, nem ao progresso de Pequim e Xangai, revolta-se, não por não ter liberdade de expressão ou de opinião, mas sim por não ter dinheiro para comer e para sobreviver dignamente. Estas são as pessoas que vivem numa outra China. Naquela que não aparece nos guias de viagens nem nas propagandas chinesas sobre a modernidade do país.

 

 Os que não se preocupam com nada disso são os burocratas do Partido Comunista, que vivem com o melhor que o dinheiro pode comprar e os altos executivos das grandes empresas. Estes não se importam que não haja liberdade desde que a falta dela não atrapalhe os seus negócios, nem os impeçam de continuar a ganhar mais dinheiro. Os altos negócios nunca são minimamente afectados pela falta de liberdades nem pela rigidez do sistema político. Estes altos executivos, na maioria autênticos "self made man", são jovens que progrediram rápido na vida ou homens mais vividos que sobreviveram aos períodos mais difíceis da era Mao Tsé Tung, como a Revolução Cultural, e que souberam aproveitar o período liberalizante de Deng Xiaoping para fazer investimentos que hoje lhes proporcionam a estabilidade financeira.

 

 O mais triste é que seriam estes os primeiros a virem para a rua protestar se as suas regalias fossem retiradas. Imagino qual seria a reacção deles se o Governo endurecesse a linha de governação e resolvesse nacionalizar várias empresas, situação típica do comunismo? Iriam reclamar do sistema político do país.

 

 Era bom que passados vinte anos do massacre da Praça Tiananmen, não só o governo chinês fizesse uma avaliação sobre o que mudou, mas sim toda a população chinesa.

 

 Dificilmente uma manifestação como a que ocorreu há vinte anos vai voltar a repetir-se. Dificilmente a Deusa da Democracia vai voltar a ser erigida numa praça chinesa, tal como foi há vinte anos em Tiananmen. E quem ganha com isto? Sem dúvida que é Mao Tsé Tung, que vai continuar a vigiar a Praça com aquele seu sorriso esfíngico, cínico e hipócrita.


"Lembrar Tiananmen"

Quando passam 20 anos sobre o massacre de Tiananmen, a China ainda não se libertou dos grilhões maoístas. Pior do que isso, silencia todo e qualquer movimento que vise celebrar a Primavera de 1989, ao ponto de, gerações nascidas após essa data, não saberem o que realmente aconteceu em Pequim. Travestidos de socialistas modernos, o Governo controla minuciosamente a população através do Partido, aliando-se a políticas repressivas que vão desde campos de trabalho forçados a execuções públicas. Não existe liberdade de expressão nem liberdade sindical e os meios de comunicação social estão subjugados. Por mais operações de cosmética que protagonizem, onde os Jogos Olímpicos de 2008 foram o expoente máximo, jamais se libertarão do totalitarismo nacionalista instigador do medo que nem todos os países têm coragem de denunciar mas que um dia a História tratar-se-á de reparar.

Dylan a 8 de Junho de 2009 às 00:15

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