14
Dez 08
publicado por Alexandre Veloso, às 21:30
editado por Fábio Matos Cruz em 15/12/2008 às 00:31link do post | comentar

O ano de 2009, que será o penúltimo de Lula na presidência, será importante para se observar o tipo de papel que o Brasil pode desempenhar num mundo cada vez mais multipolar, e onde a hegemonia dos EUA tende a diminuir cada vez mais.

A aposta feita por Lula no etanol e nos programas de biodiesel certamente serão para continuar, já que desta maneira o Brasil fica menos dependente da importação de combustíveis fósseis provenientes de outros países. A descoberta de poços de petróleo ao longo da costa brasileira também ajuda, e muito, esse propósito, pois pode diminuir o investimento na importação de petróleo, principalmente da Venezuela.

O Programa "Fome Zero" é um projecto de sucesso, por isso tem que ser mantido como porta-bandeira na luta contra as desigualdades sociais que continuam a existir na sociedade brasileira. Um país que já é uma das grandes economias mundiais não pode continuar a ignorar o facto de muitas pessoas ainda viverem em pobreza extrema. Lula lembra que hoje a classe média já é representada por 52% da população. O objectivo para 2009 tem que ser o de aumentar esta taxa, o que só pode ser alcançado se não se ignorar os outros 48% que vivem em condições precárias, lutando diariamente pela subsistência.

A diminuição dos altíssimos níveis de criminalidade tem que ser outra prioridade. Nos últimos dois anos, 16 mil pessoas morreram no Rio de Janeiro, o que é um absurdo por parecer que a cidade está em guerra (ou estará mesmo?).

A nível internacional, o objectivo de Lula será o de afirmar definitivamente o nome do Brasil, como um país a ser tido em conta pelas grandes potências internacionais. Cooperação e desenvolvimento serão palavras-chave para um melhor entendimento com a UE e com a nova administração americana. Outro ponto essencial sobre o qual Lula vai tentar manter o foco em 2009 será o de reformular o Conselho de Segurança da ONU. Há muito tempo que o presidente brasileiro defende que o modelo actual, em vigor desde a sua criação, está desactualizado em relação à nova realidade mundial. Esta será uma batalha muito difícil, senão mesmo perdida, mas quanto mais pressão for exercida sobre os "Big Five" do Conselho, melhor poderá ser a imagem que Lula deixará aos poderosos: a imagem de que hoje o Brasil é um país sério, com uma economia em desenvolvimento e que por isso tem que obrigatoriamente ter um peso relevante.

2009 será também o ano em que Lula tem de escolher qual o melhor candidato para apoiar nas presidenciais de 2010. A actual ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, parece ser a opção mais credível neste momento. O que não significa nada, porque num país em que os escândalos políticos são frequentes, nada nos diz que a ministra não cometa qualquer deslize que possa vir a custar-lhe uma hipotética candidatura.

Lula terá de ponderar no nome a apoiar porque o principal partido da oposição, o PSDB, certamente apresentará como candidato o actual Governador do estado de São Paulo, José Serra, que foi derrotado por Lula em 2002, mas que depois disso já esteve na prefeitura da cidade de São Paulo e agora está no governo do Estado.

Lula certamente não vai querer cometer um erro de análise num assunto tão importante.


Ler
pesquisar neste blog
 
arquivos
blogs SAPO