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Jul 09
publicado por Alexandre Veloso, às 17:04link do post | comentar

Após ver a entrevista de ontem de Santana Lopes na RTP cheguei a uma conclusão sobre ele: é uma pessoa com uma coragem enorme e com uma grande paixão à actividade política.

 

Como Primeiro Ministro é certo que Santana foi uma catástrofe, mas quem em 2005 considerava que a sua carreira política estava acabada enganou-se redondamente. Após uma aventura falhada como líder da bancada parlamentar do PSD, a carreira de Santana ganhou um novo fôlego com as eleições para a presidência do partido em 2008. Apesar de ter perdido, Santana obteve uma grande votação, o que só demonstra que continua a possuir uma grande base de apoio dentro do PSD. 

 

Esta nova candidatura a Lisboa é digna de aplauso porque não me recordo de em nenhum país um antigo Primeiro-Ministro ser novamente candidato a presidente de câmara, um cargo infinitamente menor. Certamente há quem pense que esta é apenas uma forma de continuar visível dentro da política. Talvez sim, mas existem muitos que tentam manter-se vivos no universo político de outras formas, mas sem coragem de dar novamente a cara numa campanha política como candidato a algum cargo.

 

Santana demonstra ter ideias concretas sobre o que é preciso fazer em Lisboa, enquanto o actual presidente da Câmara só aparece a dizer mal de Santana, relembrando o passado deste na câmara, principalmente em 2002 e 2003. A propósito disto eu pergunto: até quando é que os políticos dos vários partidos vão continuar a usar como arma de arremesso político um passado de seis, sete ou oito anos atrás? É que críticas feitas sobre coisas ocorridas à dois ou três anos ainda se aturam, mas buscar no fundo do baú actos de quase dez anos atrás não fica bem a ninguém. Mas de uma coisa estou certo de que Santana não pode ser acusado: de não saber do que fala e de não ter capacidades políticas para liderar a autarquia. Se uma pessoa que lidera duas autarquias diferentes( Figueira da Foz e Lisboa) durante um período de sete anos, com meio ano de afastamento forçado devido a questões de âmbito nacional, não tem capacidades, o que dizer de uma pessoa que só tem dois anos de experiência? 

 

Ainda em relação à entrevista, Santana lembrou uma coisa interessante e que talvez tenha passado despercebida a muitas pessoas que gostam de ouvir António Costa criticar o túnel do Marquês. Costa acusa Santana de ter saído da câmara sem pagar as obras do túnel. Santana ontem respondeu com uma indesmentível verdade: como poderia ele ter pago a obra em 2004, na altura da sua saída para o Governo, quando esta ainda estava a decorrer? É bom lembrar que o túnel só foi inaugurado oficialmente em Abril de 2007, ou seja quase três anos após a saída de Santana para o Governo (aqui desconto o período de Santana na Câmara durante o período Março/Outubro de 2005, após as legislativas). Ninguém paga uma obra sem esta estar terminada. Outra das acusações de Costa é da que as obras no túnel tiveram uma derrapagem orçamental muito grande e que arrastaram-se durante um longo período de tempo, atrapalhando assim a vida dos lisboetas.

 

Costa só não diz é que a razão da derrapagem e do atraso nas obras foi a providência cautelar interposta pelo seu actual "compincha", José Sá Fernandes, e que paralisou as obras do túnel durante SETE MESES! Outra curiosidade em relação a António Costa é a de que ele não fala da enorme utilidade que hoje têm o Túnel do Marquês, escoando assim um enorme fluxo de trânsito que passa diariamente naquela zona, que mesmo assim continua sempre muito movimentada. Porque será que não fala nada? E ainda deixo outra pergunta: Porquê António Costa, em dois anos que leva na Câmara, não abriu ainda a saída do Túnel que desemboca na Avenida António Augusto de Aguiar? Será porque a obra é de Santana Lopes e não convinha estar a inaugurar um complemento de uma obra de um rival? Não quero acreditar que seja por isso.

 

Acho que ganhando ou perdendo as eleições para a Câmara de Lisboa, Santana Lopes é já um vencedor, porque contra ventos e tempestades, contra a chuva de críticas a que foi sujeito após a sua desastrosa passagem pelo Governo, contra as constantes previsões que muitos fizeram da sua mais que certa "morte" política, ele resistiu. Esteve a andar por aí, mas regressou para mostrar que realmente é um homem com coragem e que parece mesmo que tem sete vidas.

 

 


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