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Dez 08
publicado por André Pereira, às 18:26
editado por Fábio Matos Cruz em 16/12/2008 às 00:47link do post | comentar

A coluna de Miguel Sousa Tavares, este sábado, no Expresso é bastante pertinente. Aborda um tema que há muito me questiono. Resolvi destacar uns excertos da crónica e, de seguida, fazer uns comentários:

 

"Quer dizer que, se o PSD fosse governo, Portugal seria neste momento o único país do planeta a escapar à crise e à recessão. Não sei porque é que os portugueses não acreditam  nisto..."

 

"Se Sócrates anunciasse a tragédia, a oposição ficaria satisfeita ou cair-lhe-ia em cima, acusando-o de ser o principal causador da desconfiança?"

 

"Eu sei que a política - e a política de oposição - tem de continuar a ser feita todos os dias, com crise ou sem crise. Mas talvez o que esteja errado seja a cultura de oposição entre nós e a própria forma de fazer política."

 

É bom que estas questões sejam abordadas com seriedade e sem preconceitos de qualquer ordem. Foi o que Miguel Sousa Tavares fez e bem. Em Portugal, a cultura política instalada é a da crítica. Não se ouve um elogio da oposição, não se ouve uma medida do PSD, não se vê uma oposição preocupada em apresentar medidas para salvar o país, mas sim com as suas questões internas. O PSD com a sua dama de ferro que nem o partido consegue unir e que brevemente vai ter a questão da candidatura de Santana Lopes a dar-lhe trabalho. Medidas para combater a crise? Ajudem-me, mas sinceramente, só me lembro do "não há dinheiro para nada". Os cálculos eleitorais são mais importantes do que a situação do país. Arrumada a questão do PSD, vamos agora a factos de outra dimensão.

Só quem não está de boa fé pode tentar negar o impacto que a crise financeira internacional está a ter em Portugal. Todas as economias estão a ser atingidas pela crise - todas -, não é apenas a portuguesa, o que mata à nascença o argumento de quem atribui as culpas exclusivamente ao Governo. Portugal é uma economia periférica, como já disse. Infelizmente, é perfeitamente normal que sejamos atingidos pela crise. Agora, o que não convém é perder o discernimento e atribuir tudo o que de mal se passa ao Governo - parece ser esse o prato preferido da oposição em Portugal.

Se as pessoas andam com a confiança em baixa e cada vez mais descrentes e deprimidas, alguém que me diga: o que ajuda um discurso pessimista?  O Governo tem tido um discurso realista e de verdade. Para os que insistem no pessimismo, uma palavra: responsabilidade. O pessimismo tem um efeito «bola de neve» que contagia a economia, com todas as contrariedades que daí advêm. O "não há dinheiro para nada" só pode levar a um lugar: ao abismo. Gostava de viver num país em que se discutissem ideias e apresentassem medidas para bem do país. Isto sim, parece utopia.


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