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Dez 08
publicado por Alexandre Veloso, às 13:21
editado por Fábio Matos Cruz às 21:20link do post | comentar

Para onde caminham os partidos da direita em Portugal? Quer se queira quer não, há uma crise instalada tanto no PSD como no CDS-PP.

 

O PSD, ao longo dos últimos anos, parece um partido em guerra contra si mesmo. A principal preocupação de certas alas do partido é a de criticar o líder, pelo que este disse e por aquilo que não disse. Há certas pessoas dentro do partido que parece que só estão bem quando aparecem na televisão ou nos jornais a criticar a direcção. O objectivo desta gente é desgastar a imagem do líder até que este abandone o barco. Ninguém parece estar preocupado em apresentar propostas para o país.

Luís Filipe Menezes é o exemplo que melhor ilustra esta tendência. Quando deixou a liderança do PSD, prometeu que ia calar-se até às eleições. Mas o que fez logo depois? Criticou a direcção de Manuela Ferreira Leite sempre que possível. Basta que lhe ponham um microfone à frente para disparar uma série de críticas. Esta atitude demonstra que Menezes tem um certo lapso de memória relativamente ao que diz.

Desde a saída de Cavaco Silva, o PSD teve sete líderes em 13 anos. Isto é o espelho da instabilidade do partido. Só Durão Barroso e Santana Lopes estiveram no Governo, com os resultados que se conhece. Fernando Nogueira não resistiu nem um ano à derrota nas legislativas de 1995, Marcelo Rebelo de Sousa teve um mandato conturbado e saiu após o fim da AD com o CDS-PP, Marques Mendes não aguentou a travessia no deserto após o fracasso do partido nas eleições de 2005 e foi substituído em 2007 por Luís Filipe Menezes, que em apenas sete meses conseguiu transformar o partido num circo e tornar-se o líder mais contestado desde o fim do cavaquismo. Manuela Ferreira Leite está agora a comandar o barco na travessia de mares revoltos e sem garantia nenhuma de que os seus marinheiros não conspiram para derrubá-la antes de chegar a porto seguro, para assim evitar o naufrágio, que muitos consideram quase certo.

 

Para os lados do CDS-PP, a situação é bem mais dramática. Um grupo de 100 militantes resolveu abandonar o partido, por estar em desacordo com as políticas de Paulo Portas. Este é apenas mais um capítulo na conturbada história de um partido que parece que ainda não sabe qual é o seu lugar no espectro político. Hoje não se sabe se o partido é mais CDS ou se é mais PP. Das ideias de Freitas do Amaral e de Adelino Amaro da Costa, que foram  a base da fundação do partido, pouco ou nada resta, porque a ideia de Freitas era a de ter um partido que ficasse "rigorosamente ao centro" e hoje o CDS é considerado um partido à direita do PSD. A matriz Democrata-Cristã do partido também parece hoje estar esquecida, engolida pelo populismo de Portas. As ideias anti-europeístas de Manuel Monteiro também foram deixadas para trás, mas a sigla que este deixou no nome do partido, PP (Partido Popular), vem sendo confundida por muitos dentro da direcção, que confundem o termo "popular" com "populista".

O resultado do desnorte do partido é reflectido nas sondagens, que mostram que o CDS-PP vem perdendo cada vez mais eleitores, sendo nas últimas eleições legislativas ultrapassado pela CDU, como o terceiro maior partido português.

O que hoje o CDS precisa é reencontrar-se e saber qual o seu espaço no universo político português.

 

E olhando para as realidades actuais do PSD e do CD-PP, repito a interrogação inicial:  Para onde caminham os partidos da direita em Portugal?


partidos de direita?

PNR SEMPRE!
pedro a 16 de Dezembro de 2008 às 20:05

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