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Dez 08
publicado por Simão Martins, às 15:41
editado por Fábio Matos Cruz às 21:47link do post | comentar

 

Daniel Okrent, cujo livro (O Provedor, Edições 70) foi lançado em Portugal neste Outono, foi o primeiro Provedor dos Leitores do New York Times. A sua missão era clara: tirar o jornal de uma onda de desconfiança e de falta de credibilidade em que mergulhara aquando do escândalo de Jason Blair (jornalista que plagiou/falseou notícias).

 

Embora se trate do New York Times, e toda a gente se curva perante o nome (novamente, New York Times), as questões jornalísticas levantadas por Okrent fazem sentido em todos os países em que as liberdades de expressão e de imprensa estejam institucionalizadas e associadas a um regime político democrático.

 

O cargo que foi ocupar, denominado Provedor dos Leitores (Public editor, Ombudsman), destinava-se a avaliar, objectivamente, o trabalho jornalístico do Times. Atendendo às questões e reclamações (dos leitores), Okrent tentava dessa forma descobrir as lacunas jornalísticas, defendendo os leitores ou, noutros casos, os próprios jornalistas. Agora que já abandonou o cargo e que lançou o livro, eu prefiro denominar Daniel Okrent como o Provedor do Jornalismo - porque os leitores do Times agora têm à disposição outro senhor, Clark Hoyt, o livro O Provedor afigura-se sobretudo como uma resposta a tantas questões do dia-a-dia dos jornalistas.

Interesse Público. Responsabilidade. Objectividade. Verdade. Honestidade. Rigor. Imparcialidade. Direitos e Deveres.

Sendo hoje uma actividade mercantil (sob o pressuposto de que quem vende mais, sobrevive), o jornalismo anseia a toda a hora pela primeira notícia, o exclusivo, o mais arrebatador do momento. E aí, são muitas vezes esquecidos os princípios acima enunciados, em nome de uma cegueira provocada pelo chamado furo jornalístico. A subordinação ao acontecimento bem como aos meios publicitários e aos grupos económicos detentores dos media (já nem falo na subordinação ao poder, espero não ter que vir um dia escrever sobre isso em Portugal), enfraquecem aquele que é um dos sectores mais importantes da nossa sociedade.

Estatisticamente, Okrent não revoluciona porque não foi o primeiro provedor dos leitores no mundo, mas a posição de destaque em que foi colocado permitiu-lhe fazer o que poucos devem ser capazes: escrutinar e vasculhar a redacção de um dos maiores jornais de referência a nível mundial, tudo isto em nome do bom jornalismo. Ou de um jornalismo melhor. 

“Jornal de Referência? De Modo Nenhum, não Há Razão para Tal, não Obrigado”


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