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Dez 08
publicado por Simão Martins, às 01:46link do post | comentar

Moisés Naím, analista do jornal El País, apresentou nesta edição de Domingo  (link na nota, em baixo) um artigo que mostra na perfeição como 2008 foi um ano em que as previsões dos grandes entendidos (os especialistas) na matéria falharam quase sempre.

 

Em primeiro lugar, refere uma previsão de Bill Kristol, do New York Times, que dizia que “Barack Obama não ganhará uma única eleição primária a Hillary Clinton”. Vê-se.

 

Depois, sublinha o deslize do prognóstico de Jim Cramer, comentador financeiro da CNBC: “A Bear Stearns está bem. Não tirem o vosso dinheiro de lá. Seria uma parvoíce.” Seis dias depois, a empresa viria a entrar em colapso.

 

“Mares tranquilos: as rotas marítimas mundiais são seguras”, título da Foreign Affairs, da autoria de Dennis Blair e Kenneth Lieberthal. Neste artigo, diziam também que “os petroleiros são muito menos vulneráveis do que a comunidade crê”. Pouco tempo depois, piratas da Somália capturavam um dos maiores super-petroleiros do mundo. E ainda não foi devolvido. Naím afirma que é possível que Dennis Blair venha a ser o próximo chefe da CIA.

 

Donald Lufkin, do Washington Post, referiu (em meados de Setembro): “Quem disse que estamos em recessão ou vamos a caminho dela está a inventar a sua própria definição de recessão”. No dia seguinte à publicação deste artigo, a Lehmann Brothers declarou bancarrota e pouco tempo depois veio confirmar-se que a economia norte-americana já estava em recessão há meses.

 

A The Economist anunciou que “apesar dos seus defeitos, as eleições no Quénia serão um exemplo para o resto do Continente”. De facto, as eleições foram marcadas pela fraude e enorme onda de violência que viria a provocar 800 mortos e 200 mil pessoas desalojadas. A economia do Quénia ficou arruinada.

 

O cientista Walter Wagner está convencido de que o gigantesco acelerador de partículas atómicas construído perto de Genebra pode acabar com o Mundo. Ora, para surpresa do cientista, ainda estamos aqui, já que o acelerador de partículas está a funcionar desde 10 de Setembro.

 

Para o New York Times, Arjun Murty, um analista da Goldman Sachs, é nada mais nada menos que um “oráculo petroleiro”, devido à sua capacidade de antecipar as flutuações nesse mercado. Em Maio deste ano, Murty previu que “a possibilidade do preço do petróleo chegar aos 150 ou 200 dólares por barril nos próximos 6 a 24 meses parece crescentemente provável”. Nestes dias, o preço tem rondado os 40 dólares por barril.

 

Por último, as declarações de Hank Paulson, secretário do Tesouro norte-americano: “o sistema bancário estabilizou-se. Já ninguém se pergunta se há outra grande instituição bancária que possa cair”. O certo é que poucos dias depois, o preço das acções do Citigroup caiu 75%.

 

 

Alerta-se para a prudência. Cuidado com 2009, que vai ser um ano sensível.

 

 

Nota: artigo (quase) integralmente transcrito e traduzido da edição impressa (peço desculpa por qualquer erro de tradução que me tenha escapado).

 


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