31
Jan 09
publicado por Leonel Gomes, às 14:18link do post | comentar | ver comentários (1)

 Sobre o assunto do momento, o caso Freeport, gostaria de constatar dois factos. O primeiro prende-se com a vitimização que segundo José Sócrates, ele tem sido alvo. Mais do que exagerado. O líder do governo tem que saber que ninguém está acima da lei, e ele deveria dar o exemplo. Visto que toda esta enxurrada diária de notícias com as quais temos sido levados, não favorece nem o Governo, muito menos a oposição, só descredibilizam a política portuguesa. 

 
O segundo ponto, tem que ver com o papel desempenhado pelos meios de comunicação em todo este caso. A função dos media é  informar as pessoas com dados concretos e  informação credível. Tudo o que temos visto, lido e ouvido, têm-se baseado em  meras suposições e em julgamentos em praça pública (antes mesmo das autoridades competentes terem tomado qualquer decisão).
 
Como escreveu João Marcelino no editorial do DN, "O mundo da comunicação social apareceu esta semana absolutamente dividido entre aqueles que querem depor o primeiro-ministro a todo o custo e os que o apoiam de olhos fechados. De um lado o militantismo; do outro o servilismo. Entre a maldade e a Fé, parece às vezes não haver espaço para o jornalismo profissional, substantivo, das notícias, que dê às pessoas os elementos para pensarem e tirarem as suas próprias conclusões - e eu creio que é também por isso que vai crescendo a necessidade de a comunicação não ficar refém do espaço tradicional. Seria sempre lamentável, se não fosse sobretudo trágico. " O que por si só é lamentável, divulgar notícias novas é bem diferente de alimentar um novelo diário de contradições.
 
 
 

 


publicado por Alexandre Veloso, às 13:52link do post | comentar

Não vou aqui pronunciar-me sobre o caso Freeport porque acho que este é um assunto que deve primeiro ser avaliado pela Justiça para depois serem feitos juízos de valor sobre o comportamento dos envolvidos.

 

Mas há neste caso muita coisa obscura e há realmente pessoas que não estão a dizer a verdade. A ver vamos quanto tempo mais o PM aguenta-se. Mas neste momento não creio que exista razão para este demitir-se.

 

Não creio que exista uma campanha da comunicação social para atingir quem quer que seja, apesar de em alguns casos ser difícil acreditar nisso. A função da imprensa é informar as pessoas e não jogar o jogo político e defender o indefensável. Quem é adepto da teoria da cabala política devia parar por um segundo e pensar no que é mais certo um jornal fazer: fingir que nada se passa, não investigar nada e limitar-se a defender os envolvidos ou investigar tudo o que for possível, todas as pontas soltas para dessa maneira se chegar a  descobrir a verdade?

 

Se não houvesse investigação jornalística, Bob Woodward e Carl Bernstein jamais teriam obtido as informações que despoletaram o caso Watergate e que culminou na demissão do Presidente Richard Nixon.

 

Se não houvesse investigação jornalística, nunca se teria descoberto o célebre caso Irão-Contras, que quase derrubou a Administração Reagan.

 

Se não houvesse investigação jornalística, nunca os franceses teriam ficado a conhecer o envolvimento dos seus Serviços Secretos no caso "Rainbow Warrior".

 

Afinal se não houver investigação jornalística, qual a função da imprensa? O que afinal pensam que deveria ser feito pela imprensa aqueles que defendem a teoria da cabala política?

 

PS. deixo aqui o link para a coluna desta semana de José António Saraiva no semanário "SOL". Acho que muito do que ele diz é bastante pertinente para tentar entender o caso Freeport.

 

http://sol.sapo.pt/blogs/jas/archive/2009/01/31/Watergate-_E000_- portuguesa_3F00_.aspx#comments

 


publicado por Simão Martins, às 00:47link do post | comentar

 

http://imgs.sfgate.com/c/pictures/2000/06/23/harvey-milk.jpg

 

Milk não é um filme para gays. É somente um retrato duma época que pretende mostrar ao mundo os direitos de todos para todos. A igualdade.

 

Harvey Milk começou, na década de 70, uma luta que ainda hoje vai dando muito que falar. Na altura, São Francisco era das únicas (senão a única) cidades norte-americanas que albergava homossexuais assumidos (que tinham saído do "armário"). Nem sequer falava do direito ao casamento; a única coisa que reclamava era o direito à igualdade enquanto cidadãos, enquanto seres iguais a todos os outros à nascença (diz a Declaração Universal dos Direitos do Homem).

 

Condenados ao escondimento constante e à discrição, os homossexuais vêem assim reduzida a sua liberdade. Se não há espaço para eles na sociedade, arranjem-no, são iguais a quaisquer outros!


30
Jan 09
publicado por André Pereira, às 11:28link do post | comentar

O Caso Freeport inocentemente, ou não, volta a surgir perto de eleições. Foi assim em 2005, é assim em 2009. Não está em questão a gravidade das acusações de que José Sócrates é alvo. São de uma gravidade tremenda. Portugal não pode ter um primeiro-ministro sob suspeita de corrupção. A justiça tem de funcionar, o que em Portugal, infelizmente, nem sempre acontece da melhor maneira. E isto pode ter uma grave consequência: a lentidão da justiça pode lançar uma suspeita de tal ordem sob o primeiro-ministro, que o leve a demitir-se e a obrigar a eleições antecipadas. Ora Portugal precisa é de um governo que esteja concentrado no combate à crise, na ajuda às pesssoas e na procura de soluções para resolver tudo isto; não de um governo fragilizado. Sócrates tem lidado bem com a situação, no entanto, o papel de vitimização não é o mais adequado. O primeiro-ministro não necessita disso, basta mostrar firmeza,  repudiar tudo o que tem sido dito e demonstrar confiança em que tudo será esclarecido pela justiça. O papel de vítima pode virar-se contra ele.

O que não pode ser ignorado neste caso é o comportamento da comunicação social no tratamento das informações. Não tenho dúvidas que há uma enorme vontade, em certos media, de atingir José Sócrates. É notório em 3 órgãos de informação: Público, TVI e Sol. Como se explica a omissão de excertos do comunicado do PGR por parte da TVI? Isto é grave, muito grave. O Público, como vem sendo hábito, apresenta tudo o que possa atingir o primeiro-ministro, fundamentalmente na pessoa do seu director, José Manuel Fernandes. O Sol parece ter-se tornado num aliado da TVI, contribuíndo para um jornal de sexta-feira ainda mais deprimente e contra o governo do que se possa imaginar. Isto não é jornalismo, é alguma coisa certamente, mas que escapa aos objectivos do jornalismo. Para informar é necessário existir ambos os lados das questões, explicar os factos para que as pessoas possam construir a sua opinião com base em dados seguros.

Nós vemos que isto não se está a passar em alguns órgãos de comunicação. Eu não queria ir tão longe, mas tem de ser: isto é jornalismo de merda. Não honra a profissão que quero desempenhar, não me faz ter orgulho no papel do jornalismo.

Felizmente, existem excepções, e nós sabemos quais são. Os outros, mais tarde ou mais cedo, seguirão o seu caminho rumo ao que merecem.


29
Jan 09
publicado por Fábio Matos Cruz, às 01:31link do post | comentar

Daniel Oliveira escreve na última edição do Monde Diplomatique que «a experiência mostra que, em democracia, o poder institucional pode ser um importante indutor de movimentos sociais», que «a força do movimento social e a sua tradução no terreno institucional não são duas realidades absolutamente divorciadas», mas que «uma das angústias da esquerda, depois de tantos anos de recuo político, é a ausência de um programa congregador para a conquista do poder». A fobia, o nojo à responsabilidade de governar é precisamente o oxigénio da esquerda - ou, vá, a esquerda da esquerda. É, aliás, uma força de bloqueio que vai sendo gerida com resistência a pendores reformistas, com laivos de porreirismo e de troca de carinhos com fenómenos de contestação - sem, necessariamente, esperar solucioná-los -, num espaço restrito em que desvios significam traições. É mais ou menos isso o que Daniel Oliveira considera ser os «três becos sem saída: o conservadorismo, o populismo e o motim».


A situação chega a ser constrangedora em momentos de governação: se, em governos de centro-esquerda, as suas forças à esquerda condenam cedências e consensos com o "campo inimigo", a tendência mais frequente de quem governa é acusar essas mesmas forças de se auto-aniquilarem pelo caminho do sectarismo. Os obstáculos a uma consistência política avolumam-se. O que, hoje, é mais chocante é a visão belicista da esquerda radical: na convicção de que todas as formas de governo são pérfidas, o fim parece estar no exercício de contrapoder, no estrangulamento ideológico. E esta autofagia está para durar.


publicado por Simão Martins, às 01:19link do post | comentar

 

A crise económica pode levar a um número de desempregados bastante elevado, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Mas este bastante elevado varia um pouco, segundo três notícias online:

 

- O site da Visão fala em 51 milhões de desempregados;

 

- O Expresso online tem como título da notícia "50 milhões sem trabalho";

 

- Os números do Público resumem-se a 40 milhões de desempregados.

 

 

Curioso é o facto de a fonte utilizada por estes jornais ser a mesma.

 


28
Jan 09
publicado por Alexandre Veloso, às 20:23link do post | comentar

Mais uma vez o Primeiro-Ministro enganou o país. A rábula do relatório da OCDE sobre as políticas educativas é apenas mais uma gota no oceano de mentiras com que o PM tenta enganar os portugueses. Foi assim com o Orçamento, foi assim com a situação "estável" da Quimonda e agora com este relatório.

 

Não falo aqui sobre o conteúdo do relatório, que aponta as boas políticas levadas a cabo pelo Ministério da Educação ( e deixo aqui o meu apreço pela atitude corajosa e dialogante da ministra Maria de Lourdes Rodrigues), falo é sobre a mentira dita pelo PM, que referiu que nunca tinha visto relatório da OCDE tão elogioso para as políticas educativas do Governo.

 

E para piorar, Sócrates teve hoje a "lata" de dizer no Parlamento que não tinha dito que o relatório era da OCDE. E para escapar do assunto, tentou mostrar que o texto era  realmente da OCDE ao mostrar que era até assinado por uma representante da organização. Pena é que o texto que foi rubricado era apenas o prefácio do relatório. O prefácio era escrito e assinado por uma representante da organização, mas não o relatório. E em desepero de causa, passou ao costumeiro ataque ao PSD, que limitou-se a constatar que o PM mentiu ao país.

 

Não gosto particularmente de Paulo Portas, mas a dúvida que hoje deixou no Parlamento, e que não teve resposta por falta de tempo, é bastante pertinente. Porque o PM deu tanto valor a um pseudo-relatório da OCDE sobre a Educação e quando confrontado com os relatórios da mesma organização sobre a economia portuguesa, revelou o seu desinteresse pelos mesmos, mostrando não estar preocupado? Afinal, a OCDE é boa a fazer "relatórios" sobre a Educação (falar bem do Governo) mas má a fazer relatórios sobre a economia (no fundo a alertar sobre a ficção dos números apresentados pelo Governo)?

Realmente não me parece.


publicado por Simão Martins, às 14:16link do post | comentar | ver comentários (5)

 

 

"Esta-mos" neste momento no último ano da faculdade. O terceiro da "licensiatura", que começou em 2006.

 

Este tipo de erros acima identificados com aspas foram dos mais frequentes desde que entrei para o curso de Ciências da Comunicação e da Cultura com vertente em jornalismo. Mas não da minha parte. Podem chamar-me convencido ou dizerem que tenho à minha volta uma espécie de bolha invisível que me protege dos erros ortográficos ou gramaticais.

 

Mas se há coisa que realmente prezo é a boa utilização da língua portuguesa. Comecemos pelo princípio: ninguém nasce ensinado. Na escola primária iniciamos (e não "inicia-mos") o nosso percurso em torno de construção de frases e compreensão de textos. Passando para o ensino preparatório, as coisas complicam-se um pouco. Lá para o 7º ou 8º ano, quem não souber de todo escrever, não deve passar para o ano seguinte; é assim que as coisas deviam funcionar! E, por isso, já nem falo no secundário, em que o grau de exigência é considerável e tais erros não devem ser permitidos; a condescendência é das piores coisas para o ensino.

 

E chego eu à faculdade (privada, onde a média mínima para entrar se resume aos míticos 9,5) e deparo-me com uma deficiência ao nível da escrita duma dimensão absolutamente ridícula (e mesmo na línguagem oralizada, não faltam os "por causa que" e os "houveram"), caracterizado por um desconhecimento geral do correcto uso da pontuação, das formas verbais e até erros tão ridículos (até para uma criança do 4º ano) como aquele contido no título deste texto. Fico perplexo quando vejo esta forma de encarar a escrita num curso em que esta é, no mínimo, basilar. Não se pede que tenham uma escrita atraente, com personalidade e afins. Pede-se que saibam escrever duas frases seguidas com sentido e, para isso, ler é essencial (não descansem, não chega ler A Bola ou o Destak). 

 

 

Há alturas em que faz falta ver aquele programa com o Diogo Infante, "Cuidado com a Língua". Principalmente para estes futuros jornalistas. Por falta de modéstia, alguma dedicação e muita leitura, tenho tido por hábito não me incluir nessa quantidade gigantesca de gente que simplesmente não sabe escrever!


27
Jan 09
publicado por André Pereira, às 19:34link do post | comentar

 

 

 

 

John Updike faleceu ontem, em resultado de um cancro. Tinha 76 anos.  Updike era um grande romancista. Venceu dois Pulitzer, não conseguiu vencer o cancro. A sua obra vai continuar a sua viagem, junto dos milhões de leitores que gostam de boa literatura.

O mundo ficou mais pobre. A literatura perdeu um dos seus melhores.


26
Jan 09
publicado por André Pereira, às 19:53link do post | comentar

Um relatório da OCDE elogia a reforma do sistema escolar português no 1º ciclo. São boas notícias. Ou pelo menos pareciam. O líder  da Fenprof não acha. Mário Nogueira considera "prematuros" os elogios da OCDE. Este senhor deveria ficar satisfeito com qualquer melhoria do sistema escolar, e consequentemente, das condições de trabalho dos professores. Mas não. Os professores ainda não perceberam que, este homem não os representa a eles, representa os seus próprios interesses político-partidários. O que me admira é que ainda ninguém tenha percebido isto.

 


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