19
Fev 09
publicado por Fábio Matos Cruz, às 23:25link do post | comentar

O mais recente ensaio de Robert Kagan, O Regresso da História, serve de despertador para os que estão embalados num sono tranquilo. Com potências a exigir um estatuto digno no palco mundial, ameaçando a democracia liberal predominante no eixo euro-atlântico, regressa-se à História porque a competição entre nações está para durar. O "mundo transformado" que se imaginou no pós-Guerra Fria nunca chegou a nascer. Mais: os Estados Unidos não permanecem a única superpotência, antes partilham uma posição privilegiada com outras potências num retorno à concorrência internacional - o "mundo pós-americano" anunciado por Fareed Zakaria. Vive-se uma luta por influência no mundo. Não se trata de uma competição ideológica, mas de diferentes exercícios de poder. Como Kagan explica, a nova era será de «tensões crescentes e por vezes de confrontações entre as forças da democracia e as da autocracia». A supremacia do liberalismo democrático provocou o colapso do comunismo soviético mas isolou também os que não quiseram abraçar os projectos que promove. É por isso que «os chineses e os russos se sentem marginalizados da clique poderosa e exclusivista» do mundo liberal. Perante esta alienação, tanto a Rússia como a China estão convictos de que para serem uma grande potência têm de ser independentes. Ficam aterrorizados com a possibilidade de, por vontade alheia, serem impedidos de realizar as suas ambições e de o seu destino lhes ser negado. À sua maneira, constroem uma liderança sólida, que suscite confiança no seu povo e que seja motivo de orgulho - é aqui que, muitas vezes, patriotismo e nacionalismo não são facilmente distinguíveis. O dilema é saber até que ponto virar as costas ao Ocidente. E mover a peça certa no xadrez diplomático.


18
Fev 09
publicado por André Pereira, às 17:02link do post | comentar

As gasolineiras em Portugal continuam a subir o preço da gasolina. A explicação é sempre a mesma:  " de modo a reflectir a evolução das cotações dos produtos refinados nos mercados internacionais". A carga fiscal não pode explicar tudo. Portugal tem a sétima gasolina mais cara da Europa. Mas por que diabo a gasolina não baixa quando a cotação do petróleo está em queda? As cotações só se aplicam para as subidas?

Esta roubalheira não pode continuar por muito mais tempo. A crise ainda aí, mas não podem ser sempre os mesmos a pagá-la. Um pouco de dignidade meus senhores!


16
Fev 09
publicado por Simão Martins, às 20:49link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

 

pode ser que o Árctico já não esteja por cá. Não digo "entre nós" pois parece que essa realidade passa ao lado da maior parte. É-nos distante e não nos preocupa. Todos os anos ouvimos falar do aquecimento global e do degelo mas equivale ao mesmo que dizer que morreram 200 pessoas num terramoto na China.

 

Falem em autismo, no que quiserem (há sempre coisas mais importantes), mas estas pequenas grandes coisas preocupam-me. Mais que o Freeport.


12
Fev 09
publicado por Alexandre Veloso, às 21:50link do post | comentar | ver comentários (1)

Sobre o debate desta noite na SIC sobre a Política e a Mediatização gostava de deixar algumas pequenas impressões sobre a prestação dos intervenientes no debate:

 

- Maria José Nogueira Pinto demonstrou uma extrema lucidez sobre os aspectos abordados e lembrou que nem sempre o partido menor consegue aguentar durante muito tempo as pressões às quais é sujeito numa coligação autárquica. Deixou ainda um comentário sobre o qual estou perfeitamente de acordo: na política não é necessário encher a rua de cartazes, causando assim uma grande poluição visual, nem distribuir saquinhos de prendas para se ganhar votos. O que é realmente preciso é mostrar-se ser um candidato capaz e com ideias arrojadas, desde que enquadradas na realidade. O resto são apenas "fait-divers".

 

- Hernâni Carvalho aparenta ainda ser muito ingénuo no mundo da política. Achar que mesmo sendo independente, mas com o apoio do PSD, na corrida à Câmara Municipal de Odivelas o vai imunizar de pressões do partido para seguir as linhas orientadoras necessárias no caso de uma hipotética vitória só demonstra das duas, uma: ou muita ingenuidade ou muita falta de conhecimento da actividade política exercida nas autarquias (mas não só: as pressões existem em todos os cargos. Do Ministro ao presidente da Junta de Freguesia).

 

- Joana Amaral Dias mostrou uma grande frontalidade ao dizer que enquanto achar que pode, através da televisão, dar o seu contributo e a sua opinião sobre diversos assuntos, vai continuar a fazê-lo. Uma frontalidade rara nos políticos, porque praticamente diz que vai continuar a "aproveitar-se" do espaço que lhe é proporcionado na televisão. E numa altura em que está "às turras" com a direcção do Bloco de Esquerda, o espaço mediático acaba por dar-lhe um enorme jeito para continuar a ser lembrada e a ser ouvida.

 

- Gonçalo Amaral acabou por mostrar-se demasiado confuso na hora de explicar o que o levava a tentar candidatar-se à Câmara Municipal de Olhão pelo PSD, candidatura essa já prontamente recusada por Manuela Ferreira Leite. A sua tentativa de comparar o trabalho político com o trabalho que efectuou na Polícia Judiciária não foi muito feliz, porque, há que se convir, uma actividade é muito diferente da outra. O ter sido um bom inspector da PJ não faz dele um bom candidato.

 


publicado por André Pereira, às 16:31link do post | comentar

Nos primeiros 8 meses de 2008 morreram 32 mulheres vítimas de violência doméstica. Estamos a falar de Portugal, um país que se diz desenvolvido. Envergonho-me como português e como homem. Todos sabemos que muitos casos não chegam ao conhecimento público por medo, vergonha ou falta de confiança na justiça. É preciso criar mecanismos que possam verdadeiramente proteger as mulheres . São necessárias medidas rápidas e eficazes. Uma mulher não pode denunciar o seu caso às autoridades e voltar para junto do agressor. Alterem-se as leis. O que não pode continuar é o clima de impunidade que paira nas cabeças desses monstros agressores.

Enquanto tudo isto continuar podem chorar-se muitas lágrimas de crocodilo, mas elas vão continuar a morrer e a sofrer. Até quando?


11
Fev 09
publicado por Alexandre Veloso, às 20:22link do post | comentar | ver comentários (4)

O PM mostrou hoje no Parlamento os seus incríveis dotes de actor. Todos conspiram contra ele, tudo que se diz é dúbio e suspeito, todas as perguntas são armadilhadas. O constante papel de vítima que Sócrates faz  já começa a irritar. Então no Parlamento não se pode fazer perguntas? Então é o PSD que está por trás da suposta campanha difamatória? Então são os membros do PSD que tem familiares envolvidos em negócios suspeitos? Então já não se pode falar sobre nada? Para o PM, o Parlamento serve para fazer perguntas convenientes e para a oposição ser subserviente (tal como os membros do seu partido), o PSD conspira para o derrubar e as perguntas devem ser sempre de fácil resposta, nunca directas e com dúvidas sobre a acção do Governo.

 

A Donzela Ofendida que é José Sócrates vê conspirações em todo o lado: na imprensa, no Parlamento, nos que discordam da linha orientadora do PS e em todo o lado. Não tarda começa a pensar que Fernanda Câncio é uma agente infiltrada do "Diário de Notícias" e que apenas quer é "sacar-lhe" algumas informações!

 

O seu fiel escudeiro, um autêntico Sancho Pança dos tempos modernos, é o seu Ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva. Este assim que ouviu críticas ao seu "guia espiritual" levantou-se logo para o defender das "injúrias" lançadas pelos "infiéis" da oposição. Mas que figura patética é este ministro.

 

Mas realmente não surpreende. Porque quem faz declarações como "gosto é de malhar na direita" e quem se acha no direito de lançar farpas contra o histórico Manuel Alegre (lembre-se que Alegre é um dos históricos do PS, um dos fundadores do partido e uma figura altamente respeitada na sociedade portuguesa, enquanto ASS já até foi adepto dos ideais marxistas-leninistas, trotsquistas, no fundo comunistas, não sendo por isso a pessoa certa para criticar Alegre) realmente não merece que se perca mais tempo a falar da sua pequenez política. A sua auto-definição de "pigmeu" assenta-lhe na perfeição. Pequeno de ideias e pequeno politicamente.

 

PS: Ao menos Sancho Pança tinha graça e o seu "mestre", Dom Quixote, tinha aura vencedora. São estas as qualidades que realmente faltam a estes autênticos personagens da política que são JS e ASS. Acho que Miguel de Cervantes não poderia estar mais de acordo.

 

 


publicado por Leonel Gomes, às 18:29link do post | comentar

 

É o que Manuela Ferreira Leite deve estar a pensar depois das recentes declarações de Marcelo Rebelo de Sousa. No sermão semanal ao país, o Professor deu nota negativa à sua amiga Manuela, afirmando que se esta continuar com esta postura de falar (perdão não falar), o objectivo do PSD nas próximas eleições legislativas, será impedir uma nova maioria absoluta do PS.
Concordo com Rebelo de Sousa em alguns pontos, o PSD pela sua magnitude e importância histórica é um partido que tem que lutar para ganhar qualquer tipo de sufrágio em que participe, algo que dificilmente conseguirá se a líder do partido mantiver este finca pé com os media. Segundo, Ferreira Leite só está a dar tiros nos pés quando diz que as sondagens de opinião são manipuladas, os resultados desses estudos de opinião só reflectem um dado simples, se a oposição não apresenta propostas diferentes e concretas das apresentadas pelo governo, para quê mudar? É sabido que em períodos de crise, como a que estamos a atravessar, as pessoas são avessas a rupturas com o passado recente. Assim sendo, convém para o bem de Manuela Ferreira Leite e dos portugueses (digo eu), que ocorra uma transformação drástica e célere na forma como o PSD se dirige aos seus eleitores, caso contrário estará a estender uma passadeira vermelha, perdão rosa a José Sócrates e seus pares.
Dois dos maiores apoiantes de Manuela Ferreira Leite, desde que ela decidiu concorrer à liderança do PSD, foram Pacheco Pereira e Marcelo Rebelo de Sousa, que passados alguns meses são os seus maiores críticos. Eles melhores que ninguém conhecem Ferreira Leite e sabem que ela sempre foi uma pessoa avessa a câmaras e microfones, ora e numa altura em que o PSD mais precisa de veicular a sua mensagem para um maior número de pessoas, parece-me uma contradição terem apoiado alguém que não gosta de aparecer. A questão que coloco é a seguinte, porquê que um dos dois camaradas da economista não se levantam do cadeirão em que estão sentados semanalmente e façam pela primeira vez algo de útil ao partido que apoiam, ou tem medo de repetir o fracasso que ambos registaram na década de 90. Recorde-se que Pacheco Pereira tentou candidatar-se à câmara de Lisboa, mas não teve sucesso, o que fez com que tivesse uma autêntica travessia no deserto, aparecendo um bom tempo depois como o profeta da internet, com o seu famigerado blog e mais recente no programa "Quadratura do Círculo" na SIC Notícias. O mesmo insucesso político registou o Professor no seu curto comando na liderança no PSD, para depois aparecer qual Santo António, no seu sermão na TVI, que se transferiu para a RTP1. Seria bom que da próxima vez em que resolverem criticar a líder do PSD, os dois comentadores o fizessem em privado, aliás não é este o comportamento que os amigos deveriam ter uns com outros?

publicado por Simão Martins, às 15:03link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

 

Ontem, enquanto caminhava por um dos corredores da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, passei pelo antigo gabinete de Marcelo Caetano. "Fecharam-na [a sala] e nunca mais serviu para nada, mesmo quando temos falta de salas", dizia-me uma aluna. De facto, do vidro sobre a ombreira da porta não vinha luz nenhuma, levou-me mesmo a imaginar que se trata duma divisão cheia de pó, bichos e vazio, de espaço e de história.

 

Mas também temos o outro lado da questão. Aqui há uns tempos, falava-se na transformação da antiga sede da PIDE num condomínio de luxo (que não cheguei a saber se se concretizou), o que mostra um apagar da história daquele que foi um dos mais repressivos instrumentos do Estado Novo para dar lugar a um habitat de gente que talvez nem saiba o que foi a PIDE. Mas chega de especulações.

 

 

O ponto a que quero chegar é simples. Não é por Marcelo Caetano ter sido quem foi que agora, por razões de respeito ou por vontade de puro desejo de esquecimento, o seu antigo gabinete deixe de pertencer aos anais da história de Portugal. Dava uma bela sala-museu, bem como a sede da PIDE o poderia ter sido. Veja-se o exemplo de Auschwitz ou da casa de Anne Frank, que são hoje diariamente visitadas por milhares de pessoas.

 

Se hoje há aquilo a que chamamos história, devemo-lo a uns quantos seres inteligentes que decidiram preservar para a posteridade o que aconteceu. De bom e de mau.


10
Fev 09
publicado por Alexandre Veloso, às 14:11link do post | comentar

No seu habitual comentário semanal na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa deixou mais algumas críticas à actual direcção do PSD liderada por Manuela Ferreira Leite. E tal como já tinha feito antes, teve de vir a público para dizer que o que tinha dito não era bem aquilo e que as pessoas é que não tinham entendido.

O que realmente importa aqui ser referido é que as constantes "farpas" lançadas por Marcelo em nada ajudam o PSD, pelo contrário só o descredibiliza por colocar ainda mais a nu as fragilidades que este apresenta. Acho que as críticas de Marcelo são pertinentes. O que está errado é o timing em que estas são feitas.

O PSD não pode concorrer para perder ou para apenas tirar a maioria absoluta ao PS. Não está no ADN do partido ser apenas mais um entre os outros. O PSD tem que saber impor-se na cena política, tem que concorrer para ganhar e não "para perder por poucos". Ferreira Leite tem que agir mais, saber que caminhos percorrer e não ficar apenas a atirar ao sabor do vento. A líder tem que falar com as bases, deslocar-se às distritais, ouvir os militantes, ouvir as boas propostas da JSD ( obviamente a do cartaz do Pinóquio não é uma delas, apesar do epíteto de mentiroso não deixar de ser verdadeiro, porque tal como Marcelo bem lembrou, o PM tem um problema qualquer com a verdade), propor mais iniciativas e apresentar um programa concreto de Governo.

A tradição do PSD é a de ser um partido de Governo e não apenas um partido de oposição ( como o PCP e o BE e também o CDS-PP, que só chega ao Governo através de coligações). Em 35 anos de democracia o PSD foi Governo durante 17 anos e meio ( entre governos de maioria absoluta, com Cavaco Silva, e governos de coligação com o CDS-PP, nos tempos de Freitas do Amaral e nos tempos de Paulo Portas, e com o PS, no chamado "Bloco Central").

Em tempos de crise, o PSD tem que saber "olhar para dentro" e relembrar a história. Um partido que consegue duas maiorias absolutas consecutivas com Cavaco Silva, em 1987 e em 1991, que tem um passado feito de líderes marcantes como o próprio Cavaco e ainda Francisco Sá Carneiro não pode resignar-se à actual situação.

A expressão  "E Pluribus Unum" aplica-se perfeitamente ao PSD. "Entre todos um". O "um" que sabe e pode fazer a diferença.

 

 


publicado por André Pereira, às 12:08link do post | comentar

 

 

Na VI Convenção do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã anunciou a estratégia do partido para os próximos tempos: recusar coligações com o PS para as legislativas, e tentar formar uma grande frente da esquerda unida que possa eleger um Presidente da República.

Ora isto revela duas coisas: demagogia e falta de ambição política. Demagogia porque ao rejeitar precocemente integrar um executivo- caso o PS não tenha maioria obsoluta- o BE perde a oportunidade de colocar em práctica as suas propostas, perde a oportunidade de contribuir para a melhoria do sistema de saúde, de educação, de justiça, etc. Louçã quer manter a auréola de " anjinho do purismo". É mais fácil esperar pelas presidenciais de 2011 para mostrar a sua força. Conseguir eleger Manuel Alegre com o apoio dos comunistas, bloquistas e descontentes com o rumo do  PS, é o grande sonho de Louçã.

As legislativas vão ser um bom teste ao verdadeiro poder do Bloco. Ao recusar possíveis coligações o Bloco pode estar a contribuir para o voto útil, favorável ao PS.

Manuel Alegre é a oportunidade do Bloco. E não nos podemos esquecer que Alegre nada decidiu e não saiu em ruptura com o PS. Se assim for o sonho de Louçã desmorona-se. É que a demagogia e futurologia podem pagar-se caro.

A capacidade do PS conter o BE e a sua esquerda é fundamental. Nas legislativas como nas presidenciais.


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