05
Fev 09
publicado por Simão Martins, às 20:22link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

O filme de que todos falam. Aquele que é apresentado como o grande candidato aos Óscares de 2009 como melhor filme, não merece muito mais do que Melhor Banda Sonora e Argumento Adaptado. Mas que fique bem claro: não é um mau filme! Só não é uma obra-prima.

 

Quem viu Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, não se iluda. Este "Quem quer ser Bilionário?" é bastante inferior. Começa por ser um filme com uma intenção de retrato social bem marcada, de início, mas que se vai perdendo no sonho do concurso que todos conhecemos, culminando num "e viveram felizes para sempre" que já teve o seu tempo (não quer dizer que tenhamos que sair do cinema lavados em lágrimas a toda a hora).

 

Apesar disso, é soberbamente filmado, acompanhado de uma banda sonora que assenta numa vertente rítmica que tem na sua cadência o principal ingrediente do filme de Danny Boyle. Mas isso não chega. A história não me deixou particularmente agradado, embora contenha pormenores absolutamente deliciosos.

 

Para mim, a condição essencial para um filme merecer o Óscar é a distinção em relação aos outros pela capacidade de despertar em quem vê os sentimentos mais humanos, mais palpáveis, que é muitas vezes proporcionada por excelentes interpretações. A Turma, de Laurent Cantet ,tem-nos. Milk, de Gus Van Sant, é o melhor exemplo deste ano. Slumdog Millionaire é mais um bom filme, feito a partir de excelentes intenções mas que não alcança as expectativas que me fizeram ir vê-lo.


publicado por André Pereira, às 18:48link do post | comentar

O Correio da Manhã deu um exemplo do que pode ser o lado mais perverso do jornalismo. A semana passada, o jornal trazia na capa, com letras bem gordas que a mãe de José Sócrates tinha comprado um apartamento a uma sociedade "offshore" e pago a pronto, num ano em que havia declarado menos de 250 euros de rendimentos mensais.

Hoje o mesmo jornal corrige essa informação, assumindo o erro. Tem direito a nota editorial, mas não deveria ter direito a primeira página? Só assim seria possível atenuar os danos causados aos intervenientes. É que nos jornais fazem-se julgamentos sem possibilidade de defesa. É a ditadura das vendas que conta, deitando ao ar qualquer réstia de ética que ainda possa existir.

A verdade nunca é tratada com o destaque concedido à mentira. A deontologia não serve para nada quando se tratam de campanhas de assassínio de carácter. É disso que se trata. Gostaria de ver o profeta do "situacionismo( Pacheco Pereira) dar uma palavrinha no seu blog sobre o assunto. O pior cego é o que não quer ver. Infelizmente, a cegueira parece estar a alastrar.


03
Fev 09
publicado por Simão Martins, às 22:40link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

 

Aquilo que toda a gente devia querer. A verdade, mais pura e mais seca à face da terra. Mas talvez o "custe o que custar" de Ricardo Costa no Expresso desta semana não seja o melhor. Basta dizer que o Sol mais as suas capas mirabolantes têm feito um trabalho no mínimo duvidoso. O que quero dizer com duvidoso é o facto de um furo jornalístico servir de pretexto, hoje em dia, para quase tudo. Conseguiram o tio do primeiro-ministro, desejoso de se fazer ouvir e ler um pouco por toda a parte, independentemente do que tivesse para dizer.

 

Mas quero a verdade na mesma. E para isso não preciso dum jornalismo raivoso e a babar-se constantemente quando cheira um naco de informação que pode queimar em qualquer altura qualquer interveniente no caso. Do jornalismo preciso é do tempero, um tratamento que nestes casos se pretende mais seco e insonso para esclarecer da forma mais exacta todo o processo, o papel de todos os envolvidos. Seja de José Sócrates, seja do tio, da prima ou da avó.

 

E quero ver gente a cair, quero ver a justiça a mexer-se, quero que por uma vez - será que é desta? - os ladrões e charlatães não continuem em banho-maria por esse país fora.


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