31
Mar 09
publicado por Fábio Matos Cruz, às 19:26link do post | comentar

No editorial do Público de hoje, Paulo Ferreira toca mesmo no ponto. Reflectindo acerca do abuso de dinheiros públicos para esconder desequilíbrios estruturais - para lá da crise -, remata:

 

«Gastar dinheiro do Estado desta maneira é tão útil e tem efeitos tão duradouros como queimar notas de 100 dólares na lareira para garantir algum conforto nos dias mais frios.»

 

A sobrevivência é um desespero.


publicado por Fábio Matos Cruz, às 18:53link do post | comentar

O comissário europeu dos assuntos económicos, Joaquin Almunia, diz que a cimeira do G20 tem tudo para brilhar: a UE e os EUA têm «um elevado grau de convergência inimaginável há três anos». Curioso: julguei que não, que, para a Europa, a prioridade fosse acelerar a reforma do sistema financeiro internacional, e não criar novas medidas de estímulo económico, tal como os EUA têm vindo a defender. Mais curioso é Almunia fazer uma provocaçãozinha implícita:

 

«As decisões de política monetária e de política orçamental precisam de um certo prazo para transmitir os seus efeitos à actividade, procura, emprego ou investimento.»

 

Prevê-se coboiada.


publicado por André Pereira, às 12:10link do post | comentar

Este ano promete ser um dos piores de sempre para Portugal. O desemprego vai subir até perto da casa dos 10%, a contestação social aumenta, as finanças dão sinais de estar perto do abismo. É o retracto de Portugal. O país onde ninguém se entende, tudo tem opinião mas ninguém faz nada. A culpa desta tragédia é do Governo, dizem-nos. Por acaso este é talvez o Governo que mais lutou contra alguns dos corporativismos existentes em Portugal.

 

Todos sabemos que quando nos tocam nos nossos "direitos adquiridos" ficamos fulos. Engraçado é ter apenas " direitos adquiridos", não há quem entenda que este país deste modo é insustentável. Não é possível gastarmos o que não temos, meus amigos, e isso não apenas deste Governo. Sempre foi assim e talvez sempre seja, até ao dia em que o país encerrar definitivamente para obras.

 

Imaginemos que das eleições não sai uma maioria absoluta. Tomem o exemplo do caso do Provedor de Justiça. Pois. Eu bem sei que não vai ser possível governar sem maioria. Não neste país.

Talvez depois de Outubro emigre para algum lado. Não é preciso ir muito longe, basta que seja um estado de direito e não um estado de brincar. Disso estou farto!


30
Mar 09
publicado por Fábio Matos Cruz, às 21:25link do post | comentar

«Belo retrato: um país dominado pelo futebol e a reclamar por mais dominação do Estado. O dr. Salazar, esteja lá onde estiver, está com certeza orgulhoso de nós.»

 

João Pereira Coutinho, Correio da Manhã


27
Mar 09
publicado por Alexandre Veloso, às 22:20
editado por Fábio Matos Cruz em 28/03/2009 às 15:48link do post | comentar

Após a intervenção de um deputado britânico no Parlamento Europeu, com um discurso bastante pró-europeu, a opinião pública britânica voltou a agitar-se. A questão de uma possível adesão ao euro é de há muito tempo um assunto bastante controverso. Muitos britânicos ainda têm um sentimento bastante ambíguo em relação à própria Europa e à presença da GB na União Europeia. Muitos têm ainda a ideia de que a GB devia ainda viver em "glorioso isolamento", tal como nos finais do século XIX e inícios do século XX.

 

Acho que a verdadeira questão não está em uma possível adesão britânica ao euro, mas sim numa nova participação da população britânica na actividade política. Na verdade o que muitos britânicos querem é que o país avance, pouco importando-se com as disputas doutrinárias entre o Estado e o mercado.

 

O povo na terra de Shakespeare parece hoje bastante conformado com o "status-quo" que reina no país. As pessoas acomodaram-se a viver à espera que o Estado possa fornecer-lhes tudo aquilo que for necessário: saúde, assistência social, subsídio desemprego, boas pensões de reforma e etc. Parecem já habituadas ao estilo trabalhista de governar, em que o rigor económico é palavra de ordem.

 

Por a Grã-Bretanha estar a viver assim, os Trabalhistas tiveram de moderar as suas tentativas de privatizar cada vez mais. Nos tempos de Tony Blair, a política de privatizações era fundamental, porque o próprio Blair considerava que o sector público era bastante fraco. Claro que, na altura, Blair limitou-se a privatizar aquilo que ainda restava do sector público, e que não tivesse sido privatizado nos anos do governo Thatcher.

 

O que os britânicos esperam hoje é um bom nível dos serviços que o Estado lhes presta e estão dispostos a pagar por isso. Discussões sobre a Europa e sobre o euro pouco importam ao povo.

 

O Governo de Gordon Browm precisa é de ter atenção às necessidades do povo. Resta saber se terá tempo suficiente para isso. Apesar do aparente adormecimento da população em relação à política, o desgaste por 12 anos de Governo dos trabalhistas (10 com Tony Blair e quase dois de Brown) já começa a sentir-se. Os britânicos tem a particularidade de reeleger primeiros-ministros de que não gostam, mas que são sempre melhores do que os outros tem para oferecer. Foi assim com Margaret Thatcher (que ganhou em 1983 devido à incapacidade do rival trabalhista, Michael Foot, e em 1987, em que mesmo desgastada acabou por ganhar a Neil Kinnock) e com Tony Blair em 2005, quando este mesmo desgastado pela polémica do Iraque, acabou por derrotar os conservadores, que eram liderados por Ian Duncan Smith.

 

A Gordon Brown podem acontecer duas diferentes coisas caso ganhe: ou ganha com uma boa margem e cala de vez os seus detractores, ou ganha com uma margem pequena, o que é politicamente arriscado, pois corre o risco de ser derrubado dentro do seu próprio partido e forçado a sair, tal como aconteceu com Thatcher em 1990 e com Blair em 2007. Nestes dois casos, o desgaste de um longo período de governação e as críticas ao rumo que estava a ser seguido contaram bastante para a saída dos líderes. Este risco,o do desgaste, Gordon Brown também corre, mas não devido a um desgaste pessoal, mas sim a um desgaste do próprio Partido Trabalhista. O líder dos Conservadores, David Cameron, já mostrou que será um rival à altura e que não apresentará resultados tão fracos como os seus antecessores.

 

Para saber qual o futuro caminho a ser trilhado pela Grã-Bretanha vamos ter que esperar pelas legislativas de 2010.


publicado por Simão Martins, às 22:11link do post | comentar

Sócrates vai processar a TVI. Esta noite, Manuela Moura Guedes anunciou que o canal teve acesso a um DVD em que Charles Smith afirma que o actual primeiro-ministro "é corrupto".  Como que legitimado pelo (infeliz) comunicado da ERC, em que o jornal da TVI de sexta-feira era chamado à atenção, Sócrates mete-se agora numa complicada guerra com a televisão de José Eduardo Moniz.

 

Há que chegar à verdade o mais cedo possível. Compreendo a fome destes furos jornalísticos da TVI mas que resultam muitas vezes em informações infundadas. É que supostamente o DVD foi gravado secretamente por um dos três intervenientes da reunião sem que os restantes soubessem. Curiosamente, só temos acesso ao som do DVD. Não há confirmação por parte das fontes. Constantes recusas para comentar os factos.

 

Muita atenção! Esta brincadeira pode sair cara à TVI.


26
Mar 09
publicado por Fábio Matos Cruz, às 22:19link do post | comentar

 

Que soco no estômago. Isto numa altura em que Gordon Brown pondera um novo pacote que conjuga cortes nos impostos e reforço no investimento público. E não é que, além do vídeo, haja falta de avisos. O discurso de ontem no Parlamento Europeu cheira a prenúncio de bomba. O Daily Telegraph chama-lhe a tirada mais pró-europeia de Brown; eu chamo-lhe pró-euro.

 

«So I stand here today proud to be British and proud to be European: representing a country that does not see itself as an island adrift from Europe but as a country at the centre of Europe, not in Europe's slipstream but firmly in its mainstream.»

 

Ninguém diz isto por acaso.


publicado por Fábio Matos Cruz, às 20:09link do post | comentar

Ponham-se a pau: o dólar ainda vai choramingar.


publicado por Fábio Matos Cruz, às 19:28link do post | comentar

A descoberta dos bónus que foram parar aos bolsos dos gestores da AIG teve uma consequência inevitável à la La Palice: a explosão do populismo. Sim, choca; sim, é um insulto aos contribuintes. Mas para quê taxá-los? Devolver os prémios recebidos não é já uma prova de arrependimento? O que seria uma indiscutível autoridade moral  perante o comportamento insustentável dos gestores põe-se de igual pé por vingança. É lamentável - e "vingança é populismo", como dizia José Manuel Fernandes no Público de ontem. O mais pornográfico é tudo acontecer à margem do Sr. Geithner, que confessou não ter tido tempo suficiente para discutir com a Administração o fluxo de bónus que já estaria a ser extraído do empréstimo de 30 biliões de dólares que o Tesouro concedera à seguradora. E já pôs um antigo secretário de Clinton a falar. O que é feito da promessa de Obama de fazer do salvamento de Wall Street um processo transparente e honesto para com o dinheiro público?


publicado por Leonel Gomes, às 18:11
editado por Fábio Matos Cruz às 20:21link do post | comentar

É o que apetece dizer quando o primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi resolve abrir a boca. Depois de ter dito que Barack Obama é "bronzeado", voltou à carga ao dizer que "é mais pálido" do que o Presidente Americano, "sobretudo porque há muito tempo que não estou ao sol".

Bem sei que há coisas bem mais importantes para discutir, mas a ironia tem os seus limites.


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