26
Jun 09
publicado por Alexandre Veloso, às 14:22link do post | comentar

Alguém consegue entender a posição do Governo perante a situação que envolve a PT e a TVI? Eu não.

 

Na quarta feira Sócrates disse no Parlamento que não sabia de nada. Depois veio Mário Lino corroborar as afirmações do "Chefe" e para completar veio depois o ministro da Presidência, uma espécie de Sócrates Júnior no quesito arrogância, afirmar que as insinuações de Manuela Ferreira Leite não tinham fundamento.

 

A questão principal é a seguinte: Sócrates sabia ou não do negócio que envolvia a possível compra de parte da Media Capital, grupo no qual está inserida a TVI, por parte da Portugal Telecom?

 

Se sabia, e mentiu no Parlamento quando disse que não sabia, porque não disse nada? Não é obrigação do Estado, que têm uma "goldenshare" na PT, saber dos negócios que esta faz?  Se não sabia realmente de nada, acaba por fazer papel de palhaço, porque vê que na PT ninguém se importa minimamente com a opinião do Governo.

 

A sua posição, de agora se opor ao negócio "para evitar suspeições", já vêm tarde. Desde quarta-feira é que se esperava esta decisão. O Governo nunca podia ter dado a entender que não sabia de nada. Sócrates passou para o público a imagem de um "tontinho" alheado da realidade.

 

Razão tinha a líder do PSD quando afirmou que era impossível o PM não saber de nada. Em relação à suspeita lançada pelo CDS, de que o Governo desinteressou- se do negócio porque soube que não haveria mudança de director-geral na TVI, não acho que tenha grande fundamento, apesar de ser legítimo o raciocínio feito pelos centristas.

 

Toda esta situação só veio piorar a imagem de José Sócrates. Primeiro não sabia, depois sabia, primeiro era a oposição que lançava suspeições, depois vem a reprovação do Governo ao negócio de forma a evitar suspeições. Em que é que ficamos?

 

Ficamos cada vez mais com a imagem de um Primeiro-Ministro cansado e que não sabe muito bem em que país é que vive. Para que tanta arrogância e tantas ironias no Parlamento se afinal era o CDS que tinha razão? Para que as farpas lançadas por Sócrates Júnior (Silva Pereira) a Manuela Ferreira Leite se era ela que tinha razão? Simplesmente para que?

 

PS: Depois de ver as declarações de Sócrates em 2004, na oposição, a dizer que o Estado não devia ter mais propriedade do que aquela que já tem no serviço público, e ver a omissão que o seu Governo teria neste negócio, fica a pergunta?: Que moral tem Sócrates para criticar o PSD por ter uma posição quando está no Governo e outra quando está na Oposição? NENHUMA. Quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras ao vizinho. E isto serve para os dois "vizinhos" que dominam a política em Portugal

 

 Aqui fica o vídeo do Jornal da Noite de ontem. Basta ver os primeiros seis minutos para ouvir as palavras do "Grande Líder" em 2004.

 


24
Jun 09
publicado por André Pereira, às 11:48link do post | comentar

Confesso que estou um pouco chocado. Passo a explicar. Em visita à Escócia, Cavaco Silva afirmou que tinha conhecimento de umas sondagens que por aí andavam e que indicavam a preferência dos portugueses para a data das próximas eleições. Sabemos que Cavaco quer juntar as duas eleições, o PSD também, o que não sabíamos é que o PR se guiava por sondagens. Reparem: pode até haver boas razões para juntar as duas eleições, agora não pode é ser devido a umas quaisquer sondagens. Quando todos sabemos o que aconteceu para as europeias.

Ficámos todos a saber que Cavaco dá importância às sondagens. É uma chapada de luva branca a todos aqueles que acusavam Sócrates de governar para as sondagens.


20
Jun 09
publicado por Alexandre Veloso, às 20:03link do post | comentar | ver comentários (1)

José Sócrates veio hoje criticar aqueles que lhe atribuem uma mudança de atitude e afirmou que a "compreensão não pode ser vista como táctica". É preciso mesmo muita lata para não reconhecer a sua mudança de atitude!

 

Depois de um ano lectivo inteiro a impor à força o seu modelo de avaliação dos professores, tendo contra toda a classe docente e todos os sindicatos, vir agora dizer que, por exemplo, ter afirmado que "entendia" as críticas dos professores não é uma mudança de atitude radical é tomar as pessoas por parvas ou ignorantes!

 

O que Sócrates quer com este discurso sei eu e toda a gente minimamente inteligente. Ele quer é VOTOS! O PM quer uma "coligação com o país", mas não parece que o país queira uma coligação com o PM. A sua táctica é: "modero o discurso, finjo-me de compreensivo e engano os totós a ver se eles dão-me uma outra maioria para eu continuar a fazer o que sempre fiz e continuar a ser quem sempre fui." Ou seja um arrogante, um prepotente e um mentiroso, que não consegue acordar do sonho em que vive.

 

O PS até pode ganhar as eleições, como até é possível que aconteça, mas o que deixa-me contente é que caso essa desgraça aconteça, o próximo Governo não vai aguentar muito. O que aconteceu com Guterres quando foi reeleito em 1999 sem uma maioria? Aguentou dois anos e "pisgou-se" deixando o país afundado no "pântano".

 

É isso que vai acontecer com o PS caso ganhe as legislativas sem maioria absoluta. Isso se Sócrates não for "corrido" de São Bento já em Setembro, o que a acontecer seria bastante comemorado pelos professores, médicos, agricultores, pequenos e médios empresários, desempregados, pensionistas, reformados... em suma, pelo país inteiro.


19
Jun 09
publicado por Alexandre Veloso, às 17:13link do post | comentar

Gostaria de saber qual o tipo de pessoa que acredita realmente na "cândida" imagem que o, ainda, PM quer fazer passar?

 

Essa suposta humildade, suavidade e modéstia do Primeiro Ministro cheiram a esturro. Cheiram a cinismo e hipocrisia de um político que começa a ver a margem de manobra mais curta, a ver a força da esquerda à esquerda do PS, a ver as suas políticas cada vez mais contestadas e a ver que depois da derrota estrondosa das europeias é bem possível que o PSD finalmente o arranque de São Bento. O estilo "bonzinho" não combina com Sócrates porque quem passou quatro anos a governar no estilo "quero, posso e mando" não transmuta-se tão facilmente em um político dialogante e compreensivo. Compreensão não é bem o forte do PM, porque depois de afirmar que o único erro que se lembra de ter cometido foi o de investir pouco dinheiro na cultura (!) fica logo tudo dito em relação ao tipo de compreensão que o PM tem da realidade.

 

O mais triste é constatar que há ainda alguns parolos na imprensa, e não só, que acreditam na "mudança" de Sócrates. É só ver a capa do DN de quarta feira 17/06 para se observar que o "baluarte do situacionismo", como diria Pacheco Pereira, quer acreditar à força toda que o rumo vai mudar. Pobres coitados! Se nada mudou em quatro anos porque agora mudaria?

 

Sócrates é um lobo em pele de cordeiro e sabe muito bem o terreno que pisa. O discurso do coitadinho a três meses de eleições só engana quem quer ser enganado. E o PM deve ser burro se acha que o povo vai cair nesta esparrela. Acho mesmo que com este discurso o PM está a sobrestimar a capacidade de inteligência dos portugueses.

 

E a propósito de moral eu pergunto:

 

Qual a moral destes senhores para pedirem uma maioria(!) depois dos resultados das europeias, que quer o PS queira quer não foram um sinal de insatisfação pelo rumo que  Sócrates está a dar a Portugal?

 

Que moral tem este Governo para continuar por mais quatro anos (Deus nos livre!!), depois das contestações que vem sofrendo em diversas áreas, da educação à agricultura passando pela saúde e pelas obras públicas?

 

Para o caso de dúvida na resposta, aqui fica ela:  NENHUMA!!

 

 

 


publicado por André Pereira, às 16:14link do post | comentar

Será que o que vai distinguir o PSD do PS são as grandes obras e o casamento dos homossexuais? Não ouvimos a opinião do PSD em relação a mais nada. E quando ouvimos é para falar do TGV. É bom relembrar que foi num governo PSD que se assinou o contrato com os espanhóis para 5 linhas de TGV. Leu bem, caro leitor, 5 linhas. São os "rabos de palha do PSD".

Pergunto: Que moral têm estes senhores?


10
Jun 09
publicado por André Pereira, às 17:30link do post | comentar

As eleições europeias vieram dizer-nos o futuro: O PS não terá maioria absoluta nas legislativas. Aliás, até pode perder as eleições. Qual as razões para tal situação? São várias.

O partido parece estar desorientado, sem um rumo claro e decisões coerentes. O pior que pode acontecer ao PS é passar a imagem de desorientação. Não sejamos tolos: o PS perdeu as eleições de domingo, não pela subida de prestação do PSD, mas sim pelo descontentamento e desgaste de 4 anos de governação.

A abstenção provou que a sociedade portuguesa está alheada da vida política e dos problemas da sociedade. O português é aquele que gosta de dizer mal de tudo, sem ter feito nada para mudar as coisas. Até Setembro muita coisa pode mudar, inclusive a mentalidade dos portugueses.

 


08
Jun 09
publicado por Leonel Gomes, às 17:57link do post | comentar

 

 

O grande vencedor das Europeias foi, sem sombra de dúvidas, Paulo Rangel. O ainda líder Parlamentar social-democrata demonstrou que, o que, ainda prevalece em política são as ideias concretas e realizáveis, e não os discursos utópicos e vazios.

Em contraponto, o grande derrotado da noite de ontem não foi Vital Moreira ( um autêntico erro de casting), mas sim o secretário geral do PS. 


publicado por Fábio Matos Cruz, às 15:33link do post | comentar

Neste momento, Gordon Brown é o homem mais desesperado do mundo. Perder é mau; perder para um partido ultra-eurocéptico é tenebroso. Como já aqui foi dito, das duas uma: ou Brown apela a uma revolução orgásmica à la New Labour, ou o funeral do Labour estará para breve.


publicado por Fábio Matos Cruz, às 15:22link do post | comentar

É assustador que, um pouco por toda a Europa, os nanicos tenham comido os danoninhos suficientes para crescer e, mais, ultrapassar os grandes do espectro político. Ontem, votar na Europa foi um protesto.


07
Jun 09
publicado por Alexandre Veloso, às 13:02link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

 

 Vinte anos após o massacre na Praça de Tiananmen eu pergunto o que verdadeiramente mudou na China, para além do incrível desenvolvimento económico:

 

- foram divulgados os nomes das vítimas do massacre?

- o número real de mortos foi divulgado?

- o povo chinês têm realmente total liberdade de expressão?

- a imprensa na China é livre para dizer o que quiser?

- os servidores de Internet fornecem os mesmos conteúdos que os servidores europeus?

- existe liberdade política para formar outros partidos?

- o Partido Comunista reformou-se alguma coisa nestes 20 anos?

 

 Como a resposta para estas perguntas parece ser óbvia, fica outra interrogação: os chineses realmente se importam com isto? Acho que existem os que se preocupam e os que não querem saber.

 

 Os que se preocupam são aqueles que foram vítimas dos acontecimentos de Tiananmen, ou que tiveram familiares mortos na praça, os  que vivem no estrangeiro, os dissidentes políticos e ainda a franja da população que não se deixa iludir facilmente pelo desenvolvimento económico. E há ainda a enorme população rural, que não tendo acesso a nada da tecnologia, nem ao progresso de Pequim e Xangai, revolta-se, não por não ter liberdade de expressão ou de opinião, mas sim por não ter dinheiro para comer e para sobreviver dignamente. Estas são as pessoas que vivem numa outra China. Naquela que não aparece nos guias de viagens nem nas propagandas chinesas sobre a modernidade do país.

 

 Os que não se preocupam com nada disso são os burocratas do Partido Comunista, que vivem com o melhor que o dinheiro pode comprar e os altos executivos das grandes empresas. Estes não se importam que não haja liberdade desde que a falta dela não atrapalhe os seus negócios, nem os impeçam de continuar a ganhar mais dinheiro. Os altos negócios nunca são minimamente afectados pela falta de liberdades nem pela rigidez do sistema político. Estes altos executivos, na maioria autênticos "self made man", são jovens que progrediram rápido na vida ou homens mais vividos que sobreviveram aos períodos mais difíceis da era Mao Tsé Tung, como a Revolução Cultural, e que souberam aproveitar o período liberalizante de Deng Xiaoping para fazer investimentos que hoje lhes proporcionam a estabilidade financeira.

 

 O mais triste é que seriam estes os primeiros a virem para a rua protestar se as suas regalias fossem retiradas. Imagino qual seria a reacção deles se o Governo endurecesse a linha de governação e resolvesse nacionalizar várias empresas, situação típica do comunismo? Iriam reclamar do sistema político do país.

 

 Era bom que passados vinte anos do massacre da Praça Tiananmen, não só o governo chinês fizesse uma avaliação sobre o que mudou, mas sim toda a população chinesa.

 

 Dificilmente uma manifestação como a que ocorreu há vinte anos vai voltar a repetir-se. Dificilmente a Deusa da Democracia vai voltar a ser erigida numa praça chinesa, tal como foi há vinte anos em Tiananmen. E quem ganha com isto? Sem dúvida que é Mao Tsé Tung, que vai continuar a vigiar a Praça com aquele seu sorriso esfíngico, cínico e hipócrita.


pesquisar neste blog
 
arquivos
subscrever feeds
blogs SAPO